OER | Logo
 

Capítulo 02. Comunidades abertas de prática e redes sociais de coaprendizagem da UNESCO

 Download PDF Download ODF Download Word Document

Grupo de estudos  UNESCO OER
OU, UK & UFTM, Brasil

 Alexandra Okada,  Alexandra Bujokas

(Colaboração: Susan D’Antoni, AU,Canada)

RESUMO

Este capítulo  apresenta um resumo da história da Comunidade de Recursos Educacionais Abertos da UNESCO, considerada uma comunidade internacional de prática organizada para disseminar o movimento de conteúdos abertos educacionais. Além disso, este trabalho introduz também plataformas de recursos abertos de comunicação e informação, bem como redes sociais de conhecimentos abertos do Portal da UNESCO. Tais ambientes e recursos proporcionam várias oportunidades para educadores e alunos  participarem e expandirem seus conhecimentos e práticas através da co-aprendizagem.

OBJETIVO DE COAPRENDIZAGEM

O objetivo deste trabalho é possibilitar reflexão sobre estas oportunidades para as pessoas  se conectarem de forma inclusiva e também incentivar debate para promover a colaboração, bem como gerar questões-chave para promover e expandir o movimento OER.

POSSIBILIDADE DE REUTILIZAÇÃO

Este conteúdo aberto é uma versão de re-autoria com base no artigo “The UNESCO OER Community from collective interaction to collaborative action” do livro “Collaborative Learning 2.0: Open Educational Resources”, reconstruído e ampliado pelas autoras.  Este capítulo sob licença aberta pode ser reutilizado por quaisquer educadores, alunos, pesquisadores e usuários interessados em disseminar o movimento de OER e integrar novas questões e reflexões pessoais.

 

PALAVRAS-CHAVE: interação coletiva, ação colaborativa, comunidades de REA e co-aprendizagem.

1. ABERTURA

OER Timeline

REA 01: Linha do tempo sobre movimento REA

Autor: Ale Okada
Fonte: http://www.timetoast.com/timelines/recursos-educacionais-abertos
Objetivos: Visualizar linha do tempo dos principais momentos do “Open Content Moviment”
Descrição: Linha do tempo desenvolvida no TimeToast
Licença: CC BY SA

A imagem acima tem como objetivo convidar os leitores a refletir sobre a importância das iniciativas de REA e a democratização de informações compartilhadas a [em] nível global, através de conteúdo aberto como resultado dos rápidos avanços tecnológicos.

A comunidade OER (D’Antoni, 2012) mostra a importância da conexão de grupos de interesse e indivíduos para refletir e debater questões-chave no movimento de REA. Esta comunidade, baseada em ações colaborativas, trabalho cooperativo e co-aprendizagem, atua como um estímulo eficaz para a partilha de conhecimentos e práticas, bem como para a implementação de novas ações coletivas para provocar mudanças.

A WSIS KC, uma plataforma de rede sociais da UNESCO, tem como principal objetivo facilitar a escolha de informação e intercâmbio, bem como para estimular o desenvolvimento comum de idéias e projetos.

Para iniciar a leitura deste capítulo trazemos duas questões: Quais as principais iniciativas sobre REA da UNESCO? Como participar neste movimento OER através do ambiente de rede social WSIS KC – UNESCO Sociedade de Informação e Comunidades de Conhecimento?

2. INTRODUÇÃO

A UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura foi fundada em 1945. Sua missão é contribuir para a construção da paz, erradicação da pobreza, desenvolvimento sustentável e diálogo intercultural. Para tanto, as ações da organização se dividem em cinco áreas de atuação: Educação, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação e Informação.

Uma das prioridades da UNESCO concentra-se na educação de qualidade. Sua intenção é propiciar a aprendizagem ao longo da vida , a promoção da diversidade cultural e a construção de sociedades do conhecimento inclusivas, através da informação e comunicação e do desenvolvimento de redes de aprendizagem de amplo acesso, via Recursos Educacionais Abertos (REA).

O Relatório da UNESCO 2011 indicou que 776 milhões de jovens e adultos são analfabetos, o que representa 16% da população adulta mundial, e 75 milhões de crianças continuam fora da escola primária. A maioria dessas crianças abandona a escola sem adquirir conhecimentos básicos ou habilidades de leitura e raciocínio matemático. Estes dados são alarmantes e trazem à tona a urgência de políticas que favoreçam o amplo acesso ao conhecimento. Uma das formas de se promover tal acesso são as ações de aprendizagem baseadas nos REA.

A fim de contribuir para a divulgação do movimento de Recursos Educacionais Abertos entre os falantes de língua portuguesa, a próxima parte deste capítulo resume a história da Comunidade de REA da UNESCO e discute ações que visam expandir o movimento. O texto também analisa as interações da rede social aberta do portal da UNESCO, que propiciam várias oportunidades para educadores e aprendizes participarem e expandirem seus conhecimentos e práticas, através da co-aprendizagem.

3. RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS

O termo “Recursos Educacionais Abertos” (REA) foi criado durante um evento organizado pela UNESCO em 2002. Um grupo de indivíduos envolvidos no Ensino Superior de diferentes países foram convidados para discutir o potencial do movimento aberto da iniciativa OpenCourseWare do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Esta inicitaiva do MIT tem como objetivo tornar os materiais de seus cursos abertamente disponíveis na web. Os participantes desta reunião estavam muito entusiasmados com esta iniciativa, e concordaram com o seu significado importante descrito em uma Declaração Final:

“No final do Fórum sobre o Impacto do OpenCourseWare do Ensino Superior nos Países em Desenvolvimento, organizado pela UNESCO, os participantes expressam sua satisfação e seu desejo de desenvolver em conjunto um recurso educacional universal, disponível para toda a humanidade, a ser referido doravante como Recursos Educacionais Abertos. Seguindo o exemplo do Patrimônio Mundial da Humanidade, preservado pela UNESCO, eles esperam que esse recurso aberto para o futuro mobilize toda a comunidade mundial de educadores. (UNESCO, 2002, p. 28) “(traduzido pelos co-autores).

Também definiram o termo como “a provisão de recursos educacionais abertos, ativada por tecnologias de informação e comunicação, para uso, consulta e adaptação por uma comunidade de usuários para fins não-comerciais.” (UNESCO, 2002, p 24.)

Ambas as iniciativas OER – OpenCourseWare do MIT e o evento da UNESCO foram apoiados pela William e Flora Hewlett Foundation, que tem desempenhado um papel central no movimento OER, com financiamento de projetos de REA em todo o mundo. Desde 2002, seus objetivos englobam plano estratégico que utilizam as TIC para aumentar o acesso a conteúdos de alta qualidade educacional . O objetivo é a criação de exemplares de conteúdo acadêmico que sejam gratuitos e acessíveis a todos na web. Estes exemplares abertos visam elevar o nível de acesso aos materiais de aprendizagem acadêmica, definindo um padrão de prática. Para isso, o critério para produção de conteúdo educacional disponibilizado gratuitamente na web deve estabelecer padrões de referência de qualidade, organização e distribuição (William e Flora Hewlett Foundation, 2002).

Recursos Educacionais Abertos é um termo fundamental destacado por D’Antoni (2012) como conceito extremamente relevante quando seu significado é conhecido e compreendido. “A partilha de recursos do mundo para o bem comum ressoa com o compromisso internacional de Educação para Todos”. D ‘Antoni destaca que as organizações internacionais de tecnologia deveriam envolver uma ampla gama de pessoas interessadas em todo o mundo em uma comunidade de interesse para explorar novas idéias e compartilhar experiências. A abordagem deve ser abrangente, reunindo aqueles que normalmente nunca têm a chance de conhecer e discutir os interesses comuns, contribuições e benefícios com o movimento de educação aberta para todos.

4. COMUNIDADE DE OER DA UNESCO

A Comunidade OER foi lançada em 2005 pelo Instituto Internacional da UNESCO para o Planejamento Educacional (IIEP). A missão do IIEP é fortalecer a capacidade dos países de planejar e gerir seus sistemas de ensino, através de pesquisa, treinamento e assistência técnica adequados às necessidades específicas locais. O objetivo da Comunidade REA é reunir pessoas interessadas em discutir o emergente movimento aberto de recursos educativos. Várias perguntas, entretanto, foram inicialmente levantadas pelos facilitadores da comunidade OER: “Quem são essas pessoas? Como elas se reúnem em uma comunidade internacional? Qual é o objetivo da interação desta comunidade?”

Quando a comunidade OER surgiu, o conhecimento sobre o assunto REA, incluindo os interesses e expectativas de seus membros, era mínimo. Através de muitas discussões e eventos, pessoas de diferentes países se filiaram nesta comunidade e se envolveram nos fóruns de discussão. Estes membros representavam diferentes interesses, instituições e nacionalidades e, mesmo com diferentes culturas e idiomas, começaram a trabalhar juntos.

O ambiente de interação inicial foi constituído por lista de emails com forum de discussão, na qual todos tinham acesso e oportunidade de compartilhar idéias, sugestões e informações, incluindo planejamento de novas ações.

Essas interações coletivas, através de vários eventos, produções e discussões conduziram a importantes ações colaborativas para expandir a iniciativa REA. Promover a ampla conscientização sobre o movimento foi identificada como a principal prioridade. Informação, publicações e recursos foram, então, desenvolvidos e disseminados pela comunidade OER para aumentar a compreensão global das questões e inovações em torno OER, bem como oferecer novas oportunidades para uma maior colaboração com o movimento OER. (D’Antoni, 2012). O Quadro 1 resume as ações realizadas.

 

Quadro 1 – UNESCO OER community: Eventos, discussões, publicações e recursos

Fonte: https://communities.unesco.org/wws/info/iiep-oer-opencontent

Várias contribuições importantes dos membros da comunidade REA foram baseadas na reflexão coletiva, que focou prioridades fundamentais para o avanço do movimento OER. Consequentemente, várias questões-chave foram discutidas, bem como descritas no relatório “OER: The Way Forward” D´Antoni (2008) que foram traduzidas em várias línguas por seus próprios membros, com ampla divulgação. O Quadro 2 sintetiza as contribuições.

Quadro2 – UNESCO OER community: Questões-chave trazidas pelas contribuições dos participantes

Fonte: http://oerwiki.iiep.unesco.org/index.php/OER_Community

Em 2005, a comunidade estabeleceu onze tópicos-chave como prioridades para o movimento de REA:

1. Pesquisa e análise de necessidades

2. Desenvolvimento de conteúdo

3. Tecnologia para apoiar o desenvolvimento de conteúdo

4. Direitos de Propriedade Intelectual, licenciamento e direitos autorais

5. A garantia da qualidade e acreditação

6. O acesso a REA

7. Uso – localização e adaptação

8. Sustentabilidade e financiamento

9. Capacitação

10. Promoção e defesa

11. Comunidades e redes

D’Antoni (2012) explica que todas essas interações e ações foram resultado da energia, comprometimento, capacidade de auto-organizar e atuar de forma colaborativa. Ela também descreve a comunidade REA como uma comunidade de prática com base em três principais características indicadas por Wenger (2006):

1. um domínio de interesse, neste caso, recursos educativos abertos.

2. discussões e atividades para compartilhar informações e ajudar uns aos outros.

3. Membros profissionais que desenvolvem abertos os recursos compartilhados.

Outra característica importante da comunidade OER destacada pelos seus membros é a inclusão, ou a capacidade de ser inclusiva e promover a colaboração, que é um dos princípios orientadores do trabalho do projeto OER e da comunidade.

Com base na sinergia entre os membros, em 2008 foram estabelecida uma nova lista com 14 temas importantes agrupados em 4 seções. Além disso, foram estabelecidas seis prioridades com base na pesquisa realizada com estes membros, apresentadas em ordem crescente de relevância:

 O avanço do movimento REA

• Sensibilização e promoção (1) – A prioridade um é estabelecida como maior conscientização sobre o significado e os benefícios de Recursos Educacionais Abertos para que assim com maior número de pessoas possam, então, promover o avanço do uso, do compartilhamento e da disseminação de REA.

• As comunidades e redes (2) – A prioridade dois é definida como importância de comunidades locais e redes sociais para discutir e trocar informações sobre REA, incluindo questões, recomendações e sugestões.

• Investigação – Refere-se a pesquisa sobre REA tanto conceitual como prática para que lições aprendidas possam ser amplamente divulgadas, incluindo também benefícios, barreiras e entraves.

Permitindo Criação e reutilização dos REA

• Políticas – Torna-se importante o envolvimento de Instituições e Entidades Governamentais para que políticas públicas possam viabilizar maior acesso, produção, uso e disseminação de REA

• Padrões – Indicações e recomendações de padrões (standards) é necessário tanto para promover interoperabilidade como acessibilidade.

• As ferramentas de tecnologia – A produção, disseminação e formação para uso de tecnologias REA é também outro item importante. Estas tecnologias devem propiciar os usuários desenvolver suas habilidades tanto para procurar e reutilizar conteúdos; como também, adaptar, produzir, e distribuir REA.

• Garantia de Qualidade (4) – A prioridade quatro é considerada como chave do movimento REA focada na garantia de qualidade. Para que REA possa ser amplamente valorizado em nível global, torna-se necessário que os conteúdos sejam produzidos e disseminados com qualidade.

• O desenvolvimento de capacidades (3) – A prioridade três é indicada como desenvolvimento de capacidades e competências para criação de REA que possam ser reutilizáveis e adaptáveis. Para isso, metodologias que possam ser utilizadas por qualquer usuário tornam-se extremamente importantes. Umas das abordagens para isso é DIY – do it yourself (faça você mesmo) para estimular número maior de participantes coautores de REA.

Permitindo aprendizagem com REA

• Serviços de apoio a aprendizagem – Para que usuários e comunidades possam ampliar suas práticas com uso de REA, torna-se também fundamental que as iniciativas de REA ofereçam suporte e apoio a aprendizagem com REA.

• Avaliação da aprendizagem – Outro tópico importante para debate, pesquisa e disseminação é avaliação da aprendizagem com REA. As questões e reflexões sobre avaliação são essenciais em relação a aprendizagem formal e informal com base em REA.

Remoção dos entraves ao REA

• Acessibilidade – Estratégias para garantir a acessibilidade de REA são também relevantes para que o número de usuários e comunidades possa crescer. Várias questões também emergem em relação a acessibilidade desde formato, quanto tecnologia e mídia escolhida.

• Copyright e licenciamento (6) – Considerada como sexta prioridade, refere-se a clareza no uso de licenças abertas e principalmente compreensão das implicações de cada tipo de licença.

• Financiamento – é considerado como o ponto crucial para os grandes projetos de REA e principalmente essencial para promover a cultura de produzir e compartilhar REA.

• Sustentabilidade (5) A prioridade cinco é apresentada como ações e políticas para que as iniciativas REA sejam sustentáveis. Inicialmente os projetos de REA recebem financiamento, porém o objetivo é que no decorrer sejam desenvolvidas estratégias para assegurar continuidade.

Foram também estabelecidos os principais atores para serem envolvidos em ações estratégicas para ampliação do movimento de OER:

• Organizações internacionais

• Governo nacional

• O governo regional ou local

• Os organismos de financiamento mais elevados de educação

• Organismos de acreditação e regulamentação

• As Organizações Não-Governamentais

• Fundações ou outras organizações

• Associações profissionais e acadêmicas

• Associações de REA

• Publicação e empresas de mídia

• As empresas de tecnologia

• As Instituições de ensino superior

• Os Acadêmicos

D’Antoni (2012), que está atualmente trabalhando em Athabasca University com as iniciativas de REA Internacionais da Cátedra UNESCO, está convencida de que uma comunidade OER global vai evoluir, e que seus membros continuarão a ser uma voz importante para o avanço da Educação para Todos.

5. UNESCO OER REDES SOCIAL DE COAPRENDIZAGEM

A plataforma WSIS comunitária Conhecimento (WSIS KC ) é uma área colaborativa on-line hospedada pela UNESCO. Este ambiente surgiu inicialmente com OERwiki que foi criado pelo Instituto Internacional da UNESCO para o Planejamento Educacional (IIPE). OERwiki foi criada como um espaço para os membros da Comunidade OER UNESCO trabalharem juntos, colaborando com registro de perguntas, informações e documentos. Com o desenvolvimento da KC WSIS a interação dos membros passou para esta nova plataforma de redes sociais.

O objetivo da KC WSIS é facilitar o acesso e troca de informações e conhecimentos para estimular o desenvolvimento comum de idéias e projetos sobre diversas temáticas. A comunidade UNESCO através desta Rede Mundial KC WSIS visa promover o conceito de ‘sociedades do conhecimento’, bem como seus quatro princípios:

1. liberdade de expressão,

2. acesso universal à informação e ao conhecimento,

3. igual acesso à educação

4. diversidade cultural.

Quadro 3 – WSIS KC UNESCO OER – Tópicos discutidos atravé da rede social

Fonte: http://www.wsis-community.org/pg/groups/14358/open-educational-resources-oer/

Diversos tópicos tem sido discutidos na rede com temas variados no período de Fevereiro de 2010 a Abril de 2012. Dentre eles com base no Quadro 3 destacam-se:

• Programas, Eventos e Seminários sobre REA

• Universidade e OER ( exemplos: OERu e Eisntein University)

• Políticas Públicas

• REA em diferentes países, incluindo projetos

• Recursos e Tecnologias sobre REA ( exemplos: vídeos, pesquisas e novos aplicativos – the Open Education Evidence Hub)

6. AÇÕES DA UNESCO NO BRASIL

Oficialmente, o Brasil recebeu a representação UNESCO em junho de 1964, mas o escritório iniciou as atividades oito anos mais tarde. Em 1992, quando a democracia brasileira já estava estabelecida e a UNESCO havia publicado a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, a organização assinou o primeiro acordo de cooperação com o Ministério da Educação do Brasil e fortaleceu suas ações da em todo o país, implementando projetos e iniciativas sintonizadas com as cinco áreas de atuação previstas no mandato.

Em 20 anos de trabalho contínuo, a UNESCO ampliou seu escopo de atuação, multiplicou convênios, obteve apoio de órgãos de governo e fundações nacionais e internacionais e fez do escritório em Brasília uma das maiores representações da organização no mundo.

O ano de 1993 foi um marco importante para as ações no campo da educação, quando foi firmado o primeiro acordo de cooperação técnica que, entre uma diversidade de iniciativas, trouxe a UNESCO para colaborar na elaboração do Plano Decenal de Educação, construído em sintonia com “Declaração Mundial sobre Educação para Todos”, elaborada pela UNESCO, e aprovada durante a conferência mundial realizada em Jomtien, na Tailândia, em março de 1990. (SIQUEIRA, A. B., 2005 ).

Alguns aspectos da declaração devem ser recobrados, porque ajudam a compreender os fundamentos do movimento em defesa dos recursos educacionais abertos. Em linhas gerais, o texto elege, como prioridade para a educação básica no mundo, satisfazer as necessidades elementares de aprendizagem. Na prática, significa ensinar as habilidades de leitura e escrita, de cálculo, capacidades de expressão oral e de resolução de problemas, além de conteúdos específicos, que incluem “habilidades, valores e atitudes”, e que variam conforme a época e as características da cultura local.

Apesar das diversidades regionais, o documento de Jomtien afirma que, em todas as situações, a educação deve assegurar a aquisição de saberes (UNESCO, 1990): “necessários para que os seres humanos possam sobreviver, desenvolver plenamente suas potencialidades, viver e trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo”.

Uma das metas específicas da declaração é particularmente relevante para o argumento que estamos desenvolvendo aqui, e se refere à necessidade de ampliar o conceito de ação educativa para além das realizações da educação formal e, consequentemente, ampliar os meios de educação, incluindo novos espaços e novas tecnologias.

Cerca de 20 anos após a publicação da declaração da UNESCO, é possível mapear uma diversidade de iniciativas que aos poucos, estão concretizando a meta de ampliar o acesso à educação de qualidade, promovendo a aprendizagem de habilidades básicas também de valores e atitudes que permitam às pessoas desenvolver suas potencialidades, expressar livremente ideias e opiniões e se engajar socialmente, em espaços educacionais ampliados.

Atualmente, a cooperação técnica com o governo e a rede de parcerias estabelecidas com uma diversidade de organizações da sociedade civil, nacionais e internacionais, constituem as principais formas de atuação da UNESCO no Brasil.

Um dos desdobramentos dessa rede são as parcerias estabelecidas com universidades públicas e privadas brasileiras, para executar projetos vinculados às cinco áreas do mandato. Para cada uma das áreas são estabelecidas metas de curto, médio e longo prazo.

A atuação do setor de Comunicação e Informação da UNESCO (que, juntamente com o setor de Educação, vem assumindo a responsabilidade pela promoção do movimento de Recursos Educacionais Abertos) é guiada pelo chamado “International Programme for the Development of Communication (IPDC)” ou “Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação”. Um dos principais projetos desse programa é a promoção dos “Indicadores de Desenvolvimento da Mídia” (UNESCO, 2010), que ajudam a identificar e avaliar a qualidade das ações no campo comunicação em cada país – e que podem ser interpretados como condições de base para a promoção da educação do futuro, incluindo a promoção dos Recursos Educacionais Abertos.

O texto dos Indicadores é resultado do trabalho de uma equipe formada por especialistas de organizações intergovernamentais, não governamentais, universidades e associações profissionais de diversas regiões do mundo e contempla cinco grandes categorias:

 Categoria 1: um sistema regulatório favorável à liberdade de expressão, ao pluralismo e à diversidade da mídia;

 Categoria 2: pluralidade e diversidade da mídia, igualdade de condições no plano econômico e transparência da propriedade;

 Categoria 3: a mídia como uma plataforma para o discurso democrático;

 Categoria 4: capacitação profissional e instituições de apoio à liberdade de expressão, ao pluralismo e à diversidade;

 Categoria 5: infraestrutura suficiente para sustentar uma mídia independente e pluralista.

Cada uma dessas categorias se divide em questões constitutivas que, por sua vez, se dividem em um conjunto mais específico de indicadores gerais. E muitos deles têm relação direta com a promoção da educação para a mídia, tida como um conhecimento de base para a produção e o remix de conteúdo.

De acordo com o documento, indicadores específicos importantes para a formação de produtores de conteúdo é verificar se há cursos e materiais educativos acessíveis, inclusive a grupos marginalizados. Assim, a visão sistêmica da estrutura de comunicação midiática de um país nos indica caminhos por onde podemos desenvolver ações de educação para a mídia. Segundo essa perspectiva, é preciso encontrar formas de ensinar, ao mesmo tempo, questões de caráter técnico, estético, cultural e político.

Portanto, os indicadores são uma ferramenta de avaliação do sistema midiático de um país que, entre outros aspectos, avalia a oportunidade que os cidadãos têm para usar as mídias para o autodesenvolvimento. Nesse sentido, os indicadores também se comprometem com o programa que a UNESCO chama de “Media and Information Literacy” ou “Alfabetização Midiática e Informacional”. No escopo desse programa, foram estabelecidas quatro ações estratégicas:

1. Promover melhor compreensão sobre o funcionamento da mídia, seu potencial e suas limitações;

2. Promover o pensamento crítico, a autonomia e a iniciativa para lidar com as mensagens;

3. Fortalecer as capacidades, os direitos e as responsabilidades dos indivíduos em congruência com as capacidades, os direitos e as responsabilidades dos meios;

4. Facilitar o acesso, o uso criativo e produtivo das tecnologias de comunicação e informação.

A organização vem se preocupando com a educação para a mídia há mais de 25 anos. Um marco importante dessa iniciativa foi o Simpósio Internacional sobre Mídia-Educação realizado em Grunwald, Alemanha, em 1982. Ao final do evento, os participantes elaboraram uma declaração, clamando às autoridades competentes de cada país para:

1. Lançar e dar suporte a amplos programas de mídia-educação, da educação infantil à universidade e também na educação de adultos;

2. Incentivar o desenvolvimento da consciência crítica, promovendo o desenvolvimento de competências para o uso das mídias impressa e eletrônica, incluindo habilidades de análise das mensagens, produção criativa e formas de participação em canais já existentes;

3. Desenvolver cursos para professores que, ao mesmo tempo, ampliem o conhecimento sobre os meios de comunicação e ensinem métodos pedagógicos apropriados para se usar mídias na educação, levando em conta a experiência dos estudantes;

4. Estimular a pesquisa que beneficie a mídia-educação em domínios tais como a Psicologia, a Sociologia e as Ciências da Comunicação;

5. Apoiar ações da UNESCO que têm como objetivo fomentar a cooperação internacional para promover a mídia-educação.

Outras conferências sobre o tema foram realizadas em Toulouse, na França, em 1990, em Viena, na Áustria, em 1998, em Sevilha, na Espanha, em 2000, em Paris em 2005, em Ryidah, no Oriente Médio, em 2006, e novamente em Paris, em 2007. Essas reuniões embasaram a produção de documentos como “Mídia-educação no Pacífico”, “Guia para professores do Ensino Médio e Mídia-educação” e “Mídia-educação: kit para professores, pais e profissionais”.

Em 2008, um grupo de experts se reuniu em Paris para discutir as bases de um referencial curricular para a formação de professores. O resultado desse trabalho foi publicado num relatório (UNESCO, 2008) que delineou temas e competências básicas que caracterizam um educador hábil a usar as mídias. Os temas foram divididos em dois grupos: tópicos para a formação do professor “literado em mídia” e tópicos para ensinar o professor a ensinar sobre mídia. O quadro 4, a seguir, apresenta os tópicos selecionados pelo grupo:

TEMA DESCRIÇÃO
1. TEMAS PARA FORMAR O REPERTÓRIO DO PROFESSOR
Mídia e discurso democrático Liberdade de expressão, pluralismo e diversidade na mídia; transparência e propriedade; mídia como plataforma para o discurso democrático; profissionalismo na mídia (jornalismo, ética); infra-estrutura capaz de dar suporte ao pluralismo e à diversidade
Análise de textos midiáticos Processos de construção de textos midiáticos; códigos e convenções que formam a “gramática da mídia”; representação, identidades e estereótipos; estruturas narrativas, vozes, inclusão e exclusão de informações
Compreensão do papel social da mídia Propósitos subjacentes à comunicação midiática, discurso e persuasão; informação, educação, entretenimento e propaganda; avaliando fontes, autoridade e precisão das informações veiculadas.
Audiências Conceito de público-alvo; audiências ativas (interpretação, negociação, avaliação, acesso e uso)
Produção de conteúdo por parte das corporações de mídia Como as corporações de mídia operam; direitos e responsabilidades, liberdade de expressão; indústria cultural, propriedade e regulação
Produção de conteúdo por parte do público Como criar e divulgar suas próprias mensagens; uso de tecnologias de comunicação e informação; valores éticos, autonomia pessoal e participação na esfera pública; promoção do diálogo intercultural
Produção técnica Usando TIC na educação
1. TEMAS PARA FORMAR O PROFESSOR PARA ENSINAR SOBRE MÍDIA
Design instrucional Desenvolvimento de atividades curriculares para ensinar educação para a informação e comunicação; adaptando e desenvolvendo recursos educacionais e amostras de mídia; criando e desenvolvendo recursos para o trabalho cooperativo através das tecnologias de comunicação e informação; usando métodos de questionamento e solução de problemas; desenvolvendo métodos adequados de avaliação das atividades
Mudanças no setor educacional em função das mídias Mudanças no papel do professor; implementação do currículo e mudanças na gestão; criando ambientes escolares que dão suporte à educação para a informação e comunicação

Quadro 4 Temas de mídia-educação para compor um referencial curricular para a formação de professores

Fonte: UNESCO / International Expert Group. Teacher Training Curricula for Media and information Literacy – Background Strategy Paper . Paris: UNESCO, 2008. Tradução nossa.

Em 2011, a UNESCO lançou a versão final do documento “Media and Information Literacy Curriculum for Teachers” (UNESCO, 2011) ou “Alfabetização Midiática e Informacional – Currículo para Formação de Professores”. A versão em português do documento está sendo preparada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), no escopo de uma parceria firmada entre a organização e a universidade, e será lançada em 2012.

A proposta curricular é composta de duas partes. A primeira parte descreve sete competências básicas para acessar, avaliar, usar e produzir conteúdos usando as mídias e; como integrar essas competências aos currículos de formação de professores; dez técnicas pedagógicas que facilitam o ensino e a aprendizagem de tais competências. A segunda parte reúne 11 módulos que sintetizam conceitos relevantes para orientar o estudo da mídia, tais como liberdade de expressão, ética e responsabilização da mídia, audiências, publicidade, sistemas de produção de notícias, linguagem, representação entre outros.

De um modo geral, o referencial curricular foca o desenvolvimento da consciência sobre o modo como usamos as mídias para o trabalho, o lazer e o aprendizado. Nesse contexto, a mídia-educação é considerada um instrumento para construir sociedades do conhecimento, promover a liberdade de expressão e o acesso universal à informação. (UNESCO, s/d, p. 13):

A aprendizagem em espaços colaborativos pode promover a cidadania ativa, ao permitir a autoexpressão e a participação no discurso público. O currículo deveria prover espaços consistentes para o professor avaliar recursos de comunicação e informação e refletir sobre a influência desses recursos na sala de aula, identificar oportunidades para a aprendizagem baseada no uso de uma ampla diversidade de recursos que são acessíveis a todos os alunos.

A proposta é que universidades brasileiras implementem projetos-piloto que integrem a educação para a informação e comunicação na formação inicial de professores para o Ensino Médio, através de um referencial curricular que possa ser adaptado em todo o mundo, de acordo com as necessidades específicas de cada país.

Na perspectiva da UNESCO, portanto, trata-se de desenhar uma proposta de base que não só aborde as questões específicas de mídia, mas que também facilite a integração de outras áreas do currículo à proposta de leitura, produção e participação cidadã que emerge com a disseminação das tecnologias de comunicação e informação. Habilitar os professores para serem produtores de recursos educacionais abertos é um desdobramento desta proposta.

A Universidade Federal do Triângulo Mineiro abraçou a proposta e, desde 2011, vem executando uma série de iniciativas para integrar o currículo de Alfabetização Midiática e Informacional à formação de professores.

A UFTM oferece sete licenciaturas com habilitações em Ciências Biológicas, Física, Geografia, História, Letras, Matemática e Química. Exceto o curso de Letras, todos possuem um ciclo comum de formação que oferece a disciplina “Comunicação, Educação e Tecnologia” (CET). Em 2010, foi criado o Centro de Educação a Distância e Aprendizagem com Tecnologias da Informação e Comunicação (Cead) e, em 2011, foi criado o Laboratório de Mídia-educação, financiado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

A formação de professores com habilidades de media literacy é um componente subjacente ao plano de ensino da disciplina CET, bem como às atividades desenvolvidas pelo Cead e pelo Laboratório de Mídia-educação.

Uma dessas atividades é o projeto “Professores produtores de conteúdo”, que oferece oficinas para ensinar estudantes de licenciaturas a produzir e remixar conteúdos digitais. Trata-se de um programa de 20 horas de aula, que ensina os alunos a usar elementos da linguagem jornalística multimodal para produzir texto, foto, áudio e vídeo, usando ferramentas abertas, conteúdos licenciados e atribuindo licenças abertas às suas próprias produções. O Quadro 5 resume a programação das oficinas.

OFICINA CONTEÚDO
1. Uso de ferramentas Web 2.0 Criação de contas e realização de testes com as ferramentas Blogger, Flickr, Delicious, Stripgenerator, Picnik, Slideshare, 4share e Freesound
2. Trabalhando com o texto Organização de uma pauta para pesquisar e produzir um texto informativo, apuração de informações, técnicas de redação para textos informativos, produção e publicação de um texto no Blogger
3. Escrevendo com imagens Noções de técnica e linguagem da fotografia, remix de fotos do site Flickr usando o Picnik, produção e compartilhamento de fotos no site Flickr
4. Produzindo conteúdo digital sonoro Noções de linguagem radiofônica (locução, trilha sonora, efeitos sonoros), noções de reportagem para rádio (pauta, entrevista, script), gravação e remix de áudio com o programa Audacity
5. Produzindo conteúdo digital em vídeo Noções de reportagem em vídeo (pauta, script, entrevistas, captação de imagens), gravação e remix de vídeo usando o MovieMaker

Quadro 5 – Programação das oficinas do curso “Edição e Remix de Conteúdo Digital”

Por se tratar de um componente curricular novo para formação de professores no Brasil, a primeira dificuldade foi encontrar materiais pedagógicos que dessem suporte às aulas. A solução proposta foi então criar materiais na forma de recursos educacionais abertos que atendem às necessidades dos cursos e, ao mesmo tempo, compartilham a proposta com outros professores e aprendizes engajados na promoção da media literacy ou mídia-educação. Foram então produzidos sete tutoriais disponibilizados na página do Cead ( www.uftm.edu.br/cead):

TUTORIAL 1 – Como elaborar uma pauta

Trata-se de uma ficha no formato PDF desbloqueado que ensina a reunir pré-informações sobre o assunto que será objeto da produção, critérios para seleção de fontes para entrevista e pesquisa e perguntas mais importantes que o texto, áudio ou vídeo deve responder.

TUTORIAL 2 – Técnicas de redação

Também é uma ficha PDF desbloqueada que ensina a redigir um texto usando as técnicas do jornalismo: título, linha fina, lide e organização do texto usando o esquema da “pirâmide invertida”, que coloca as informações mais relevantes no início e os dados complementares no final.

TUTORIAL 3 – Técnica e linguagem da fotografia

Recurso em Flash que explora técnicas de captação da imagem, modos como os recursos da linguagem da fotografia geram sentido e diferentes formas de representar o mesmo assunto.

TUTORIAL 4 – Produção de rádio

Tutorial metalinguístico em MP3, no qual uma reportagem de rádio ensina a fazer uma reportagem de rádio, tratando da linguagem e do tratamento das fontes de informação.

TUTORIAL 5 – Edição de áudio com o Audacity

Tutorial no formato Real Video que foca as ferramentas específicas para gravar locução, inserir sonoras, trilha e efeitos.

TUTORIAL 6 – Produção de vídeo

Tutorial metalinguístico no formato Real Video que ensina a fazer uma reportagem produzindo uma reportagem.

TUTORIAL 7 – Edição de vídeo com o MovieMaker

Tutorial no formato Real Video que foca os recursos específicos para gravar “cabeças” de reportagem usando a webcam e inserir cenas externas e entrevistas.

As experiências realizadas no Laboratório de Mídia-educação sugerem que, usando os tutoriais e as ferramentas web 2.0, os participantes adquirem noções sobre como acessar, avaliar e usar a informação, expressam suas ideias, adquirem conhecimento técnico, aprendem a enxergar uma mensagem midiática por dentro, exploram o potencial das licenças abertas e adquirem mais confiança para se engajar na cultura digital.

O próximo passo será encontrar formas de integrar a produção e o remix de conteúdo digital em outras áreas do currículo, envolvendo professores dos conteúdos específicos de cada licenciatura.

7. ATIVIDADE DE COAPRENDIZAGEM

Com base nas áreas de atuação da UNESCO, escolha um tema do seu interesse:

Veja este video sobre o programa, objetivos e intenções da UNESCO para apoiar e expandir a rede internacional de usuários de REA. Reflita sobre como contribuir com este movimento.

REA 02: Movimento de REA – OER – Unesco Community

Autor: openedconference on Oct 26, 2011
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=yMl0S-lCwGM
Descrição: Video sobre  programa, objetivos e intenções da UNESCO editado no  Youtube Editor.
Objetivos: Refletir sobre discussão dos principais tópicos desta Conferência
Licença Aberta: CC BY SA

No portal da Unesco navegue e explore os repositórios abaixo (Quadro 6) e procure selecionar informações do seu interesse. Participe da comunidade WIS KC OER registrando perguntas e comentários sobre uso de Recursos Educacionais Abertos para Coaprendizagem.

Quadro 6 – Interfaces e Plataformas do Portal da UNESCO

Fonte: http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/

8. MAPA DE FUTURAS PESQUISAS

Este grupo de estudos sobre movimento REA iniciado com a UNESCO pretende aprofundar em futuros estudos metodologias para desenvolvimento da coaprendizagem, uso de mídias e disseminação através de redes sociais. Estas investigações continuarão nas interfaces da UNESCO WSIS KC e do OpenScout Tool-Library. A intenção é contribuir com pesquisa sobre criação coletiva, indicadores para aprimorar reusabilidade e estratégias de formação para uso , coautoria e disseminação de REA.

REA 03: Mapa de futuras pesquisas

Autor: Grupo Colearn Unesco
Fonte: WikiMedia Commons
Descrição: Mapa criado no MS Word usando templates
Objetivos: Visualizar principais itens de pesquisas futuras
Licença Aberta: CC BY SA

9. CONCLUSÃO

Através da história da Comunidade REA da UNESCO, apresentada neste capítulo, foi discutido como uma comunidade internacional de prática foi criada para disseminar o movimento de conteúdos abertos educacionais. Com base nas principais temáticas sobre REA sublinhadas por esta comunidade, foi possível observar também os tópicos extremamente relevantes para pesquisa, realização de práticas e desenvolvimento de novas metodologias.

As principais iniciativas sobre REA da UNESCO, as redes sociais do Portal da UNESCO e os programas da UNESCO BRASIL apresentados neste capítulo indicam várias oportunidades para pesquisadores educadores e aprendizes participarem e expandirem seus conhecimentos e práticas através da co-aprendizagem. A reflexão e discussão sobre estas oportunidades para as pessoas se conectarem de forma inclusiva são fundamentais para propiciar a colaboração na construção de conhecimentos, promover a cultura da produção de conteúdo digital aberto e assim, expandir o movimento de REA.

REFERÊNCIAS

Access to oer. (2009). Retrieved from http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=Access2OER/Home

A DIY resource for OER – report of a community discussion. (2006). Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumsfiche.php?queryforumspages_id=29

Albright, P. (2006). Final forum report. Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/media/forum/oer_forum_final_report.pdf

Atkins, D., Brown, J. & Hammond, A. (2007). A review of the Open Educational Resources (OER) movement: Achievements, challenges, and new opportunities. Retrieved from http://www.oerderves.org/wp-content/uploads/2007/03/a-review-of-the-open-educational-resources-oer-movement_final.pdf

Attwell, G. (2008, March 4). “Open Educational Resources: The way forward” (web log message). Retrieved from http://www.pontydysgu.org/2008/03/open-educational-resources-the-way-forward/

D´Antoni, S. (2012).  The UNESCO OER Community from collective interaction to collaborative action  In: Okada, A., Connolly, T. & Scott, P. (Eds.) (2012). Collaborative Learning 2.0: Open Educational Resources. Hershey: Information Science Reference.

D’Antoni, S. (Ed.) (2008). Open educational Resources: the way forward http://www.pontydysgu.org/wp-content/uploads/2008/03/oer-way-forward-final-version-for-printing.pdf

D’Antoni, S. (Ed.) (2006). The Virtual University: Models and messages | Lessons from case studies. Paris: UNESCO-IIEP Developing a research agenda for OER – report of a Community discussion. (n.d.) Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumsfiche.php?queryforumspages_id=25

D’Antoni, S. (Ed.) (2003) The Virtual University: Models and Messages | Lessons from Case Studies. Paris: UNESCO-IIEP. Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/home.php

D’Antoni, S. & Savage, C. (eds.) (2009). Open Educational Resources: Conversations in

Cyberspace. Paris, UNESCO. http://oerwiki.iiepunesco.org/index.php?title=Open_Educational_Resources:_Conversations_in_Cyberspace.

Free and Open Source Software for E-learning: Useful resources. (n.d.). Retrieved from

http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumsfiche.php?queryforumspages_id=9

FOSS solutions for Open Educational Resources(2006). Report of a Community discussion.  Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumsfiche.php?queryforumspages_id=30

International Institute for Educational Planning. (2009). Our mission. Retrieved from http://www.iiep.unesco.org/aboutiiep/about-iiep.html

OER case studies. (n.d.). Retrieved from http://www.iskme.org/what-we-do/projects/research-evaluation/oer-case-study

OER stories. (2010). Retrieved from http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=OER_stories

Open Educational Resources: Open content for higher education. (n.d.). Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumshome.php?queryforums_id=3

OECD. (2007). Giving knowledge for free: The emergence of Open Educational Resources. Paris: OECD.

OER Wiki. (2009). Retrieved from http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=Main_Page

OER: The way forward. (2008). Retrieved from http://oerwiki.iiep.unesco.org/index.php/OER:_the_Way_Forward

People’s open access education initiative (2011). Retrieved from http://www.peoples-uni.org/

Rogers, E. (1962). Diffusion of innovations. New York, The Free Press.

Siqueira, A. B. (2005). Programas de TV didáticos para o ensino fundamental: um exame dos fundamentos teórico-educacionais. 310 f. Tese de doutorado (Doutorado em Educação Escolar). Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2005.

The William and Flora Hewlett Foundation. (2002). Strategic Plan: Education Program, November 2002. Retrieved from http://opencourse.org/Collaboratories/occollab/files/strategicdirections.

UNESCO. (2002). Forum on the impact of open courseware for higher education in developing countries. Final report.” Paris: UNESCO. Retrieved from http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001285/128515e.pdf

UNESCO. (2005-2010). About Education for All. Retrieved from http://www.unesco.org/new/en/education/themes/leading-the-international-agenda/efareport/reports/2005-quality/

UNESCO/IIEP (2009). International Institute for Educational Planning. Retrieved from http://www.iiep.unesco.org/

UNESCO OER toolkit. (2010). Retrieved from http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=UNESCO_OER_Toolkit

UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. Jomtien: 1990. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.pdf. Acesso em 9 abr 2012.

_______.Indicadores de desenvolvimento de mídia – Marco para avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação. Brasília: Unesco, 2010.

______. Media and Information Literacy Curriculum for Teachers. Paris: Unesco, 2011. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0019/001929/192971e.pdf. Acesso em 11 abr 2012.

_______. Teacher Training Curricula for Media and Information Literacy – Background paper. Paris: Unesco, 2008. Disponível em http://portal.unesco.org/ci/en/files/27068/12133527103Background_Paper.doc/Background%2BPaper.doc. Acesso em 11 abr 2012.

University twinning and networking, (n.d.). Retrieved from http://www.unesco.org/en/unitwin/university-twinning-and-networking/

Virtual universities and transnational education: Policy issues – What are they? And whose are they? (2004) Retrieved from http://www.unesco.org/iiep/virtualuniversity/forumshome.php?queryforums_id=2

Wenger, E. (2006) Communities of practice. Retrieved from http://www.ewenger.com/theory/index.htm

LEITURA ADICIONAL

Andrade, A. et al. (2011). Beyond OER. Shifting the focus to open educational practices. Retrieved from http://oer-quality.org/

Atkins, D. John Seely Brown and Allen Hammond (2007). A Review of the Open Educational

Resources (OER) Movement: achievement, challenges and new opportunities. http://www.oerderves.org/wp-content/uploads/2007/03/a-review-of-the-open-educationalresources-oer-movement_final.pdf

Geser, G. (Ed.) (2007). Open Educational Practices and Resources: OLCOS Roadmap 2012. Salzburg Research, EduMedia Group. http://www.olcos.org/english/roadmap/Iiyoshi, T. & Kumar, V. (eds.) (2008). Opening Up Education: The CollectiveAdvancement of Education Through Open Technology, Open Content, and Open Knowledge.Cambridge, Mass., MIT Press.

OECD (2007). Giving knowledge for free: the emergence of Open Educational Resources. Paris,OECD.

Open Learning: The Journal of Open and Distance Learning special issue on OER, Vol.24, No.1,

February 2009.

Rogers, E. (1962). Diffusion of innovations. New York, The Free Press.

Smith, M. & Casserly, C. (2006). The promise of open educational resources. Change: The Magazine of Higher Learning, 38(5), 8 – 17.

The Cape Town Open Education Declaration (2008). Retrieved from http://www.capetowndeclaration.org/readthe-declaration

van Dorp, C. & Lane, A. (2010). Diffusion of innovation through formal institutional networks. In ICL 2010 Proceedings Sept. 15-17, Hasselt, Belgium, (pp. 574-583).

Wenger, E. (1998). Communities of practice: learning, meaning, and identity. Cambridge, Cambridge University Press.

 

PRINCIPAIS TERMOS E DEFINIÇÕES (D’Antoni, 2009 – traduzido pelas autoras)

Comunidade de interesse:  Um grupo de indivíduos que se reúnem para deliberar sobre um tema de interesse comum.

Comunidade de prática: Um grupo de praticantes que se reúnem para compartilhar informações e aprender coletivamente.

OER comunidade: O grupo de pessoas convidadas pela UNESCO IIEP em 2005 para debater Recursos Educacionais Abertos.

Recursos Educacionais Abertos: Recursos disponíveis através de licenciamento que permite a sua utilização e modificação de outros.

Software Livre e de Código Aberto: Software com código-fonte aberto e disponível que permite aos usuários modificá-lo.

 

DEFINIÇÕES DOS ASSUNTOS PRIORITÁRIOS PARA O AVANÇO DO MOVIMENTO REA (D’Antoni, 2009 – – traduzido pelas autoras)

Acessibilidade: O grau em que as pessoas podem acessar e usar tecnologias de informação e comunicação e, através deles, REA acesso.

Avaliação da aprendizagem: O processo de avaliação de conhecimentos, habilidades e competências adquiridas através da aprendizagem com REA.

Comunidades e redes: Conectar  indivíduos e organizações em Comunidades de Interesse ou Prática, para a troca de informações ou de desenvolvimento colaborativo de recursos.

Desenvolvimento de capacidades: Aumentar a capacidade dos indivíduos, instituições e organizações para criar e usar REA.

Direitos autorais e licenciamento:  As dificuldades para a criação e re-utilização de REA constituído por direitos de autor (que concede o direito exclusivo por um período determinado de anos a um autor de imprimir, publicar e vender cópias do trabalho original).

Financiamento:  Garantia de recursos financeiros para as iniciativas de OER.

Garantia de qualidade: A revisão sistemática dos REA para assegurar que os padrões aceitáveis de educação, bolsa de estudos e de infra-estrutura estão sendo mantidos.

Interfaces  tecnológicas: Ferramentas de software para facilitar o desenvolvimento, acesso e disseminação dos REA.

Investigação pesquisa e investigação em REA: Qualquer novo desenvolvimento merece investigação para que seja melhor compreendido.

Padrões: Um conjunto de critérios, alguns dos quais podem ser obrigatória. Por exemplo, as normas para licenciamento e metadados são necessários para assegurar a interoperabilidade dos REA.

Políticas: Novas abordagens podem exigir novas políticas de apoio à criação e reutilização dos REA, e aqueles que estão implicados, como professores e alunos.

Sensibilização e promoção: Aumentar a conscientização dos REA através de todos os canais apropriados e entre todas as partes interessadas, e explicando o seu potencial e benefícios.

Serviços de apoio: Serviços online, incluindo fóruns e comunidades, para apoiar e melhorar a aprendizagem com REA.

Sustentabilidade: Concepção e aplicação de modelos que garantam a viabilidade das iniciativas em curso REA.

CITAÇÃO 
Okada, A., Bujokas, A. (2012). Comunidades abertas de prática e redes sociais de coaprendizagem da UNESCO. In: Okada, A. (Ed.) (2012) Open Educational Resources and Social Networks: Co-Learning and Professional Development. London: Scholio Educational Research & Publishing.
LICENÇA 
Este capítulo tem licença Creative Commons (CC BY-SA 3.0).
É uma versão reconstruída tendo como referência-chave o capítulo de: D´Antoni, S. (2012). The UNESCO OER Community from collective interaction to collaborative action In: Okada, A., Connolly, T. & Scott, P. (Eds.) (2012). Collaborative Learning 2.0: Open Educational Resources. Hershey: Information Science Reference.
  • Facebook

Post a Comment

Your email is kept private. Required fields are marked *

*
*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>