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Capítulo 17. Formação continuada virtual intercultural de educadores de comunidades indígenas com REA e redes sociais

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Grupo GETED

Pesquisas e Estudos em Tecnologia Educacional e Educação a Distância

Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – Campo Grande – Brasil

Maria Cristina Lima Paniago LopesAna Maria Ribas de JesusEduardo Luís Figueiredo de LimaMaysa de Oliveira Brum BuenoRosimeire Martins Régis dos Santos

 

O REA4 apresenta as possibilidades de formação continuada virtual em um contexto intercultural de professores indígenas e não indígenas com foco na integração das tecnologias de informação e comunicação nas suas práticas pedagógicas.

Autores:Ana Maria Ribas de Jesus/Maria Cristina Lima Paniago Lopes/Rosimeire Martins Régis dos Santos
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=nDMRmKas5bc
Descrição: O vídeo acima foi criado com o aplicativo Windows Movie Maker
Objetivos: Refletir sobre as possibilidades de uma formação continuada virtual e intercultural. Criar atividades de coautoria para a construção de REA.  Discutir a cocriação em rede na mobilização do diálogo intercultural.
Licença Aberta: Creative Commons – CC BY SA.

 RESUMO

A proposta do artigo é analisar as possibilidades de formação continuada virtual em um contexto intercultural de professores indígenas e não indígenas com foco na integração das tecnologias de informação e comunicação nas suas práticas pedagógicas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e colaborativa baseada na análise e interpretação das discussões estabelecidas pelos participantes por meio das redes sociais virtuais Ning, Facebook e suas interfaces de comunicação.

OBJETIVOS DE COAPRENDIZAGEM

São objetivos deste texto:

  • compreender as possibilidades e limitações das tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino e aprendizagem apoiada a co-aprendizagem via REAs;
  • estabelecer entre os pares diálogos de preservação da cultura e identidade;
  • observar as valorizações de si mesmo e do outro.

POSSIBILIDADES DE REUTILIZAÇÃO

Este artigo pode ser reutilizado a partir da questão norteadora: a formação continuada virtual por meio de redes sociais pode oportunizar novas formas de diálogo que possibilitem a construção de novas práticas, tendo como alicerce a aprendizagem individual, coletiva e compartilhada? A partir dessa questão apresentamos um estudo realizado pelo grupo GETED/UCDB e apesar das dificuldades de infraestrutura tecnológica presentes no contexto dessa pesquisa, optamos por utilizar esses espaços virtuais como uma forma de compreender as possibilidades e limitações das tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino e aprendizagem, estabelecendo entre os pares diálogos de preservação da cultura, identidade e de valorização de si mesmo e do outro.

PALAVRAS-CHAVE: Formação continuada de professores. Diálogo intercultural. Recursos Educacionais Abertos. Redes sociais virtuais. Professores indígenas e não indígenas.

1 – ABERTURA

REA 01: Representação do processo de formação profissional de uma professora indígena

Autor: desenho criado pela professora indígena da etnia Terena com uma frase da escritora Cora Coralina
Fonte: Wikimedia Commons
Objetivos: Refletir sobre meio de desenho a trajetória de formação
Descrição: desenho feito no papel e scaneado
Licença: CC BY SA

O desenho acima (REA 01) representa o processo de desenvolvimento  profissional de uma professora indígena da etnia Terena do Mato Grosso do Sul realizado no decorrer de formação continuada entre pesquisadores do GETED – Grupo de Estudos em Tecnologia Educacional e Educação a Distância. Neste processo de formação, os professores indígenas foram convidados a retratar por meio de desenho algo que simbolizasse a sua trajetória de formação.

A professora indígena utiliza em seu desenho um poema de Cora Coralina (1889 – 1985), poetisa do interior de Goiás e nacionalmente conhecida, cujos trabalhos sempre procuraram retratar o pensamento interiorano brasileiro. A utilização desse poema pela professora, que durante a formação declarou “ter orgulho de ser Terena”, nos indica os entre-lugares e a interculturalidade presente na formação dessa professora.

Partindo deste desenho aberto publicado no Wikimedia Commons,  este capítulo visa discutir  esta questão: a formação continuada virtual por meio de redes sociais pode oportunizar novas formas de diálogo que possibilitem a construção de novas práticas, tendo como alicerce a aprendizagem individual, coletiva e compartilhada?

2- INTRODUÇÃO – CAMINHOS DE FORMAÇÃO

Este artigo propõe investigar parte de uma formação continuada que vem sendo oferecida a professores indígenas e não indígenas, sendo 12 professores indígenas da cidade de Aquidauana no estado de Mato Grosso do Sul e 11 professores não indígenas da cidade de Aquidauana e de Campo Grande no Estado de MS.

Esta formação acontece presencialmente por meio de oficinas em laboratório de informática e virtualmente por meio de redes sociais virtuais e suas interfaces de comunicação. Vale salientar que aqui faremos um recorte com foco apenas nas interações realizadas por meio do facebook e Ning.

É uma pesquisa de abordagem qualitativa que visa “uma compreensão aprofundada e holística dos fenômenos em estudo e, para tanto, os contextualiza e reconhece seu caráter dinâmico, notadamente na pesquisa social” (FRAGOSO, RECUERO e AMARAL, 2011, p. 67).

Pretendemos discutir as relações estabelecidas em um contexto de formação continuada sob uma perspectiva intercultural em espaço virtual por meio das trocas realizadas na redes sociais Facebook e Ning.

A nossa pesquisa focamos a coaprendizagem via REAs, na qual usuários podem atuar como coautores críticos, expandir suas redes sociais e integrar aprendizagem pesquisa e formação de forma colaborativa. Segundo Okada (2011) o rápido crescimento de Recursos Educacionais Abertos na web 2.0 favorecendo o acesso e uso livre de conteúdos e tecnologias para aprendizagem tem favorecido a aprendizagem aberta com base na reconstrução colaborativa, redistribuição compartilhada e aprimoramento coletivo. Nessa perspectiva, Hylén (2006) afirma que nos REAs as informações não são apenas fontes para o consumo, ou seja, os aprendizes  no desenvolvimento de  atividades podem usar , reutilizar , buscar e organizar os dados disponíveis em um REA de uma forma flexível  agregando um novo valor de conhecimento.

A coaprendizagem (Okada, 2011) via práticas educacionais abertas com REA vem enfatizando a socialização do conhecimento coletivo como uma construção social (BRUFFEE, 1999) aberta. Esta nova abordagem de aprendizagem colaborativa com REA e redes sociais – coaprendizagem – propicia a interação da multiplicidade e diversidade de comunidades, indivíduos e suas conexões sociais;  na qual uns podem coaprender com outros em uma cultura híbrida. Neste contexto, é importante aprofundarmos o diálogo intercultural.

3- DIÁLOGO INTERCULTURAL –  INTERCULTURALIDADE

REA 02: Representação do processo de formação intercultural de um  professor  indígena

Autor: professor indígena da etnia Terena
Fonte: Wikimedia Commons 
Objetivos: Refletir sobre meio de desenho a  formação intercultural
Descrição: desenho feito no papel e scaneado
Licença: CC BY SA

O desenho acima (REA 02) foi criado por outro professor indígena da etnia Terena do Mato Grosso do Sul  no decorrer de formação continuada entre pesquisadores do GETED

O professor indígena apresenta em seu desenho, uma variação de frase utilizada pelo cacique Enio de Oliveira Metelo como símbolo de convivência e enfrentamento: “eu posso ser o que você é sem deixar de ser o que eu sou” o que indica sua trajetória de superações na construção de sua identidade, revelando as dificuldades que sofre em sua vida profissional onde precisa conciliar as múltiplas culturas pelas quais precisa transitar para exercer seu ofício de professor.

As culturas estão em constante hibridação. Esse movimento se dá pelo deslocamento entre centro e margens das construções imagéticas sociais (discurso). Isso acontece porque na formação das culturas há processos contínuos de embate entre diferentes grupos étnicos. Esse processo, mesmo para países antigos, como os da Europa, está em contínua ação, e influi de forma constante na construção deste discurso. A “nação” é para Hall, portanto, mais uma “comunidade imaginada” do que real ou estável (2005, p.50).

Esse processo de formação raramente é pacífico. Como aponta HALL (op.cit.), o processo geralmente implica em desmantelamento de uma ou mais culturas. Contudo, o novo constructo obtido é fruto do hibridismo dessas diferentes culturas e está em constante diálogo intercultural tanto internamente (dentro de um espaço geo-político nacional) quanto em relação a outras nações.

No momento em que estamos, segunda década do século XXI, parece claro que as TIC tem um papel fundamental e renovado nas trocas culturais. A troca de informações é praticamente instantânea para quase todos os lugares do globo. Distâncias como as de Campo Grande, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul e a província de Winnipeg no Canadá, podem ser percorridas na velocidade da luz, ao alcance de um clique de mouse. A relação entre o próximo e o distante, contudo, é variável. A tecnologia deforma a grade espacial e, os residentes da citada cidade de Campo Grande podem estar mais longe, culturalmente falando, de uma aldeia terena dos arredores de Aquidauana (distante aproximadamente 170 km) que da cidade de São Paulo (distante mil quilômetros) no estado brasileiro do mesmo nome. Como diz LÉVY (2001), “não há centro no ciberespaço”.

Canclini (2003) chama de hibridação os processos sócio-culturais nos quais estruturas e prática que existiam de forma separada se combinam de modo a gerar novas estruturas, objetos e práticas. De forma análoga à Hall, defende esse pesquisador, que culturas como a espanhola e mesmo a inglesa são também frutos de processos de hibridação, devendo muito à cultura latina e a outras. Sendo assim, não há porque se falar em uma pureza da cultura espanhola ou de qualquer outra.

Levando em conta os três autores citados, podemos afirmar que os atuais processos tecnológicos, como cita Lévy (2001), nos levarão a cada vez mais trocas culturais, intercâmbios de toda a sorte. Essas relações constantes têm gerado novos processos de hibridação e o complexo cultural fruto desses processos certamente levará a formações sociais distintas das que conhecemos hoje, guardando elementos constituintes de cada uma das culturas originárias.

Lévy (2001) nos oferece uma perspectiva extremamente otimista do mundo, o da convergência para uma espécie de unicidade cultural futurista onde as nações e fronteiras perderão todo o significado. Pesquisadores como Canclini e Hall possuem um olhar mais crítico dessa perspectiva e nos advertem que os processos de hibridação nem sempre (ou quase nunca) são pacíficos e são resultados de contínuos processos de enfretamento.

No centro da questão do hibridismo cultural está o conceito de identidade do sujeito. HALL nos explica que o sujeito contemporâneo, o “sujeito pós-moderno”, como o denomina, possui não uma, mas múltiplas identidades, frutos dos constantes processos de hibridação cultural. Para esse autor, uma identidade “plenamente unificada, segura e coerente é uma fantasia” (2005, p. 13). Assim, viver em uma sociedade que é constituída de múltiplas relações culturais ampliadas por redes sociais reflete diretamente na nossa formação identitária: somos sujeitos múltiplos vivendo em uma cultura híbrida.

 

4- DIÁLOGOS INTERCULTURAIS VIA REDES SOCIAIS

REA 03: Representação do processo intercultural na formação de um professor  indígena

Autor: professor indígena da etnia Terena
Fonte: Wikimedia Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Desenho_de_professor_ind%C3%ADgena_em_forma%C3%A7%C3%A3o.jpg
Objetivos: Refletir sobre meio de desenho a  formação intercultural
Descrição: desenho feito no papel e scaneado
Licença: CC BY SA

O desenho acima (REA 03) de autoria de outro professor indígena da etnia Terena do Mato Grosso do Sul também foi realizado no decorrer de formação continuada entre pesquisadores do GETED.

O professor indígena utiliza em seu desenho, uma variação do versículo bíblico “Ensina a criança no caminho em que deve andar. (Pv.22:6) em contraste com sua ilustração claramente representando uma típica moradia indígena. Essa relação indica o contraste intercultural entre a crença ocidental (evangélica, de origem não indígena) e seu estilo de vida originário das tradições terenas.

Nesse sentido, acreditamos que o diálogo nas redes sociais oferece também possibilidades de partilhar identidades, experiências, concepções, conhecimentos, produções, entre outros, promovendo tanto a aprendizagem individual como também a coletiva, contribuindo com a disseminação da pesquisa e da aprendizagem.

Para Almeida (2007, p. 27), a construção de diálogo é o “exercício de falar e estar aberto para ouvir o outro, reconhecer a si mesmo, expor opiniões, identificar a singularidade do outro pelo diálogo, trocar ideias e respeitar a diversidade [..]”.

A aproximação dos professores em formação continuada virtual em um contexto intercultural com as TIC tem sido motivada, principalmente, pelo reconhecimento de sua importância no processo de ensino e aprendizagem, evidenciando os diálogos estabelecidos entre eles. Essa situação é evidenciada na fala dos Professores: “[…] Esperamos ter mais entrosamento com esse mundo tecnológico!!!”; “[…] Podem ter certeza de que este grupo tem tudo para crescer em conhecimento, em troca de informações e novos aprendizados voltados à tecnologia de informação e comunicação”; “[…] É um grande desafio para Nós professores (as) conhecer e saber usar as tecnologias disponíveis no sistema escolar”; “[…] Mas hoje com o avanço das tecnologias no mundo virtual tenho a necessidade de estar tendo acesso a essas maravilhas que a tecnologia nos oferece. Pois, assim estará comtribuindo para que o meu trabalho quanto professor avance para um caminho de evolução tanto para mim e para os aluno”; “[…] o curso é muito bom, ajuda a entender melhor sobre o uso de tecnologia do nosso dia-a-dia para aprendizagem dos nossos alunos”.

Os dados evidenciados na rede social facebook e Ning, espaços virtuais utilizados por educadores de maneiras híbridas, permitem-nos inferir que os professores mencionam a formação continuada com o foco na integração das TIC nas suas práticas pedagógicas como momentos importantes para subsidiar a realização do trabalho em sala de aula e demonstram-se preocupados com a aprendizagem dos seus alunos.

Como já afirmado, percebemos que somos sujeitos múltiplos vivendo em uma cultura híbrida, como destaca o diálogo no facebook de um professor indígena “[…] ainapo yakoe enepo hivooxovi yara cursuna tecnologia” e uma professora não indígena “[…] estou curiosa para aprender a Língua Terena. Qual o significado da frase em português?”. O que chama a atenção nesse diálogo dos professores indígena e não indígena é o reconhecimento do outro, o querer aprender e a construção de um espaço de negociação. Segundo Candau (2010, p.23), “[…] não se trata simplesmente de introduzir na escola as tecnologias de informação e comunicação e sim dialogar com os processos de mudança-cultural presentes em toda a população”. Ainda, acrescenta a autora, “[…] a perspectiva intercultural promove uma educação para o reconhecimento do “outro”, para o diálogo entre os diferentes grupos sociais e culturais.

Pensar a coletividade e o estabelecimento de nós por meio das redes sociais é exemplificado na comunicação de uma professora quando destaca: “[…] volte sempre aqui na nossa aldeia”. Segundo Imbernón (2004, p. 15), “[…] a formação assume um papel que transcende o ensino que pretende uma mera atualização científica, pedagógica e didática e se transforma na possibilidade de criar espaços de participação, reflexão e formação […]”.

Esta perspectiva da interculturalidade no contexto de professores indígenas e não indígenas ocorreu criando um deslocamento de sentidos que possibilitou e continua possibilitando adotar uma imagem ativa de sujeitos em processo de formação. Assim, eles passaram a se ver como sujeitos múltiplos pela forma como cada um enxerga o outro, conforme revelam seus perfis na rede social Ning:“[…] Indígena Terena com muito orgulho. “[…]mãe”. […], evangélica”. “[…] sou professor indígena”. “[…] Sou professora do ensino fundamental, trabalho na Aldeia Bananal”. “[…] sou da etnia terena”. “[…] sou professor indígena da etnia terena”.

Dessa forma, essa experiência de formação continuada virtual busca promover diálogos entre culturas, identidades, saberes e diferentes sujeitos. Moreira e Câmara (2010) mencionam que por meio do diálogo, os sujeitos agem no mundo, posicionam-se e são posicionados e, nesse processo, formam as visões que têm acerca dos objetos, dos acontecimentos, de si mesmos e dos outros sujeitos. Estes posicionamentos podem ser observados nos seguintes excertos: ”[…] Eu sou professora das series iniciais do Ensino Fundamental. Indígena Terena com muito orgulho”; “[…] O meu objetivo é compartilhar com os colegas e professores as nossas experiências. Moro na aldeia ipegue desde que nasci”; “[…] Estas fotos foram tiradas com os alunos da escola x, um projeto que fora realizado com o Prof. x no ano de 2010, mostrando uma parte da beleza da Aldeia que é um açude, mas que no momento está pedindo socorro para nós, por estar abandonado […]”.

A cultura é vista como uma ação que se constitui pela interação entre os sujeitos que são compreendidos como seres sócio-historicamente constituídos, seres que constroem suas identidades e a dos outros. Cabe aqui então questionarmos se a formação continuada mediada pelas redes sociais oportuniza essa construção tanto individual quanto coletiva.

5- FORMAÇÃO CONTINUADA VIRTUAL DE PROFESSORES E REDES SOCIAIS

Quando pensamos em prática docente, sabemos que ela não se encerra no curso de formação inicial, mas continua ao longo da carreira, no ambiente de trabalho do professor (IMBERNÓN, 2004; NÓVOA, 1995; PACHECO e FLORES, 1999).

A formação continuada, de acordo com Almeida (2005, p.11) “[…] engloba o conjunto das atividades de formação desenvolvidas após a formação inicial e que se realizam ao longo de toda a carreira docente, nos mais variados espaços e com um número incontável de parceiros”.

Neste sentido, entendemos que nós, professores, diante da complexidade e transformações que vivemos, inclusive com a inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em nosso dia-a-dia, deveríamos reorganizar nossas práticas educacionais, questionando, problematizando, discutindo, criticando e socializando experiências de ensino e de aprendizagem mediadas pelas interfaces tecnológicas.

Quando pensamos nesta reorganização, não nos referimos a uma inserção das TIC descomprometida, descontextualizada, acrítica. Referimo-nos a uma reconceitualização que envolva reflexões sobre suas potencialidades, implicações dentro de um contexto histórico, político, social e cultural.

Mais significativo, acreditamos, seria discutir o contexto educacional tecnológico muito além da simples inserção das TIC em nossas práticas educativas, mas pensar que conceitos de educação estamos priorizando, uma velha educação bancária em que o aluno é um receptor passivo ou uma educação em que a construção do conhecimento é realizada de maneira participativa, interativa, colaborativa, aquela que contempla o diálogo entre as diferenças.

Tendo como referência esse cenário apresentado, é pertinente indagarmos: a formação continuada virtual por meio de redes sociais pode oportunizar novas formas de diálogo que possibilitem a construção de novas práticas, tendo como alicerce a aprendizagem individual, coletiva e compartilhada?

Em relação à aprendizagem individual através da pesquisa nas redes, para Kenski (2008, p. 90), “o professor, em um mundo em rede, é um incansável pesquisador. Um profissional que se reinventa a cada dia, que aceita os desafios e a imprevisibilidade da época para se aprimorar cada vez mais. Que procura conhecer-se para definir seus caminhos, a cada instante”. A formação dos professores em ambientes virtuais não pode ser vista “como pontos de chegada, para confinamento e permanência de alunos e professores, reproduzindo no espaço virtual o mesmo perímetro restrito das salas de aula tradicionais”.

Sobre aprendizagem individual e coletiva via redes, os pesquisadores Watts (2003) e Thacker, (2004) defendem que as redes sociais são dinâmicas e vivas. Não existem redes estáticas, paradas no tempo e no espaço, pois sofrem mudanças constantes e variáveis. Portanto, há necessidade de movimentos decorrentes das interações constituídas por nós individuais e coletivos.

Sobre aprendizagem individual e coletiva compartilhada via redes, na opinião de Okada (2011, p.12), as redes sociais podem ampliar suas construções coletivas do conhecimento, quando coaprendentes (aprendizes, educadores, pesquisadores e profissionais) contribuem com novas coautorias de produções abertas, feedback coletivo compartilhado). As redes sociais na internet são reconhecidas por Recuero (2009) como a constituição de dois elementos básicos: os atores e suas conexões. Essas conexões são formadas por atores que se relacionam e estabelecem laços sociais. Tais laços conectam-se a outros laços sociais e consequentemente ocorre essa ampliação do diálogo, conforme o seguinte enunciado: “[…] deixe sua opinião e leia esse artigo muito legal”, desencadeando um diálogo contendo dez participações, dentre elas, […]“Acabei de ler, muito interessante,  serve de reflexão, mas é para  onde estamos caminhando! ” e “opa pode deixar, já baixei aqui. vou ler com certeza”.

Salientamos que o fato de uma formação continuada desenvolver-se por meio de contextos virtuais não garante por si só essa construção de diálogos. É muito mais complexo, sendo necessário promover e despertar nos professores uma postura política relacionada ao desenvolvimento do protagonismo dentro de um contexto virtual na formação de professores.

Somando a essa perspectiva do diálogo e do protagonismo, identificamos nos participantes a presença da afetividade, cultura e crença. Hardagh (2007, p.135) afirma que “o mundo da cibercultura é repleto de símbolos que globalmente representam as sociedades, independente de língua, cultura e crença. […] podem aproximar pessoas de todos os lugares e tornar a comunicação rápida e mais afetiva’’. Encontramos esse cenário na postagem do professor  “Unati kiyoi kaxe. Que bom participar do curso de formaçao continuada tecnologia, juntamente com o grupo dos professores de Campo Grande[..]”.

Se por um lado as pesquisas evidenciam essa possibilidade de interatividade e diálogo individual e coletivo por meio de nós e conexões, por outro lado, emergem desafios e dificuldades relacionados à participação dos professores nesse espaço virtual. Questionamos como garantir “a vida” de uma rede social, sua manutenção, seus movimentos cíclicos e estabelecimento de nós interculturais.

No decorrer dessa pesquisa, nos deparamos com desafios e dificuldades quanto à infraestrutura e à pouca familiaridade tecnológica dos professores indígenas e não indígenas, reflexos de uma sociedade que ainda necessita de avanços relacionados à inclusão digital. Conforme dados evidenciados no último mapa da inclusão digital no Brasil (FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, 2012), foi constatado que o principal motivo da exclusão é a “falta de interesse” (33%), seguido pela “incapacidade de usar a internet” (31%).

Se pensarmos no contexto dessa formação na aldeia indígena, em relação à primeira constatação, é  notório que os participantes dessa formação têm muito interesse: “[..] O curso é muito bom, ajuda a entender melhor sobre o uso de tecnologia do nosso dia-a-dia para aprendizagem dos nossos alunos volte sempre aqui na nossa aldeia’’; “Nossa,como foi bom d+ esse momento na verdade uma integração e compartilhamento. Abraços a tds!!’’; “[…] que ótimo participar do curso da formação continuada tecnológica pois aprendi novos conhecimentos das tecnologias”.

Em relação à segunda constatação, percebemos que muitos professores ainda têm essa dificuldade de lidar com a tecnologia e internet. Os professores têm acesso à internet e aos computadores apenas na escola, os quais são em número insuficientes,  obsoletos e com baixa conectividade: “oi como é a primeira vez que eu participo, eu estou adorando pena que o tempo não ajuda,eu gostaria que fosse duas vezes por mês, e ter mais computadores para todos”.

6- REDES SOCIAIS E POVOS INDÍGENAS 

Temos observado nos últimos vinte anos, um crescimento estimado das populações indígenas em contexto urbano no Mato Grosso do Sul. Partindo dos dados publicados pelo IBGE/2010, nota-se que essa população indígena cresceu em torno de 10 mil pessoas, considerando os dados publicados em 1991[1]. Segundo os estudos[2] realizados, isso ocorreu devido a um elevado crescimento de índios que passaram a assumir a identidade indígena e que anteriormente se identificavam como pardas ou negras.

Segundo Nascimento, Urquiza e Vieira (2011, p. 25), Mato Grosso do Sul apresenta-se como região de uma grande diversidade demográfica caracterizando múltiplos ethos culturais, além de possuir a segunda maior população indígena do país (cf.Funasa, 2010), com aproximadamente 70 mil índios. No Estado, a população indígena em contexto urbano é de 14.457 pessoas (IBGE/2010), 40% dessa população está localizada na cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul e 60% encontra-se distribuída em outros municípios como: Dourados, Amambaí, Aquidauana, Anastácio, Sidrolândia, Miranda, Nioaque e outros.

Campo Grande, capital do Estado de MS é um local que apresenta uma intensa diversidade demográfica, por isso, abriga uma significativa população indígena estimada em 5.898 pessoas (IBGE/2010), divididas em aproximadamente 170 famílias. Dentre esse número de pessoas, há um destaque para os indígenas da etnia: Guarani, Kadiwéu, Xavante, Ofaié, Guató, Kaigang e Terena, em maior quantidade.

Muitas vezes, associamos os índios a antigos estereótipos, como se ainda vivessem no passado, constituindo um povo preguiçoso, incapaz e inferior. Sabemos dos conflitos entre gerações, em especial nas grandes reservas do Estado de MS. A mídia destaca o número de jovens indígenas envolvidos em violências, drogas e suicídios e vivenciamos a geração dos que nasceram e cresceram no contexto dos trabalhos nas usinas de produção de açúcar e álcool.

Hoje, os povos indígenas estão cada vez mais inseridos nos contextos econômicos e sociais, regionais e nacionais, morando nas cidades, estudando nas Universidades, buscando acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação.

Segundo Fleuri (2005), precisamos “construir contextos relacionais” entre diferentes, que permitam compreender os sentidos das ações dos outros. É nesse contexto que procuramos dialogar com professores índios e não índios a partir do momento que percebemos estar conectados por meio das redes sociais ou das TIC, ou seja, as TIC estão mais presentes no nosso dia a dia e parece que os professores indígenas consideraram o potencial do uso das redes sociais na afirmação e criação de identidades indígenas.

Para Geertz (1989), “compreender a cultura de um povo expõe a sua normalidade sem reduzir a sua particularidade”. Entendemos que é isso que torna possível o diálogo e o nosso desafio maior é construir experiências de interculturalidade, abrindo espaços de diálogos de saberes.

No cenário apresentado pelas redes sociais é possível perceber as possibilidades de expressão da comunicação e a produção de novas formas de interações sociais. O “se ver”, o “se posicionar” são características marcantes deste palco virtual constituídos por redes virtuais. Para a pesquisadora Recuero (2010), por meio das ferramentas de comunicação mediada pelo computador, os atores podem comunicar-se, construir e interagir com outros atores deixando suas marcas de forma que possam ser reconhecidos na rede por meio dos seus “rastros”.  Bretãs (2004, p.95) leva-nos a refletir que “o ciberespaço traduz possibilidades de democratização da comunicação oferecidas pela internet, já que descentraliza os aparelhos de produção cultural, promovendo a ação de vários participantes da rede”.

Nesta perspectiva de democratização da comunicação e reconhecimento de marcas por meio dos “rastros”, os povos indígenas têm manifestado nas redes sociais a sua interculturalidade.  Para Candau (2003, p.16) “A interculturalidade orienta processos que tem por base o reconhecimento do direito e a luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social”.  Para o pesquisador Fleuri (2005 p.91):

a intercultura refere-se a um complexo campo de debate entre as variadas concepções e propostas que enfrentam a questão da relação entre processos identitários socioculturais diferentes, focalizando especificamente a possibilidade de respeitar as diferenças e de integrá-las em uma unidade que não as anule.

Fleuri (2003, p.26) propõe a perspectiva da educação intercultural como estratégia para potencializar a própria ação desencadeada pelo conflito, mediante o diálogo e o encontro, de modo a constituir espaços alternativos produtores de outras formas de identidades, marcadas pela fluidez, pela interação e pela acolhida do diferente.

Tendo como referências a concepção intercultural, a Tabela 01 apresenta o espaço virtual das redes sociais na web de povos indígenas com diversos objetivos, tais como:  a luta pela justiça ambiental e econômica parcerias, discussão de preconceitos existentes,  colaboração e  construção de espaços de expressão e formação associados aos povos indígenas.

Redes URL Objetivos
Indigenous Environmental Network http://www.facebook.com/pages/Indigenous-Environmental-Network/186264980641 A luta pela justiça ambiental e econômica em terras indígenas  dos estados unidos da américa e canadá
Índio Educa http://www.indioeduca.org/http://www.facebook.com/pages/Indigenous-Environmental-Network/186264980641#!/indio.educa Uma rede social fruto da parceria entre brazilfoundation e embaixada dos estados unidos da américa no brasil
Terena Povo http://www.facebook.com/terena.povo?ref=ts#!/terena.povo?sk=wall Um grupo criado para quem é terena, para informações, contatos, mensagens atualizadas, passado, presente. Quem é o povo terena

Tabela 01 – Espaço virtual das redes sociais na web de povos indígenas

Portanto, faz-se necessário pensar que por estarmos inseridos em uma sociedade digital na qual as tecnologias de informação e comunicação estão presentes, não podemos ignorá-las no processo educacional. Pensando nos professores indígenas e não indígenas, a negação da existência destas tecnologias pode implicar em um processo de exclusão, aumentando o fosso entre as diferentes culturas e contextos e minimizando as possibilidades pedagógicas de uso de tais recursos.

As redes sociais, consideradas como espaço de interação, podem se configurar ou vir a ser um outro local de aprendizagem na formação de professores, pela possibilidade de convivência com o outro. Como afirmam Rodrigues, Maraschin e Laurino (2008, p. 236),

“para compreender o processo de formação de professores em uma rede de conversação, torna-se necessário desenrolar e retramar os fios que tecem as diferentes redes de conversações que possibilitam a interlocução dos saberes docentes, uma vez que os professores continuam sendo os principais atores e responsáveis por sua formação contínua, pois decidem de maneira autônoma seus objetivos e planejamentos”.

7. ATIVIDADE DE COAPRENDIZAGEM

Diante dessa realidade, propomos a reflexão e discussão sobre  como promover uma formação continuada virtual sob uma perspectiva intercultural dialógica e híbrida?

Convidamos você para acessar a nossa rede social virtual de troca de experiências e aprendizagem Formação Tecnológica Continuada e compartilhar as suas idéias e experiências.

Tendo como base a filosofia da abertura, onde professores e alunos possam usar os REA para troca de experiências e aprendizagem, disponibilizamos o vídeo da nossa experiência para você pensar e criar espaços de diálogo intercultural na escola e na universidade, espaços favoráveis ao diálogo intercultural.

 

O REA4 apresenta as possibilidades de formação continuada virtual em um contexto intercultural de professores indígenas e não indígenas com foco na integração das tecnologias de informação e comunicação nas suas práticas pedagógicas.

Autores:Ana Maria Ribas de Jesus/Maria Cristina Lima Paniago Lopes/Rosimeire Martins Régis dos Santos
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=nDMRmKas5bc
Descrição: O vídeo acima foi criado com o aplicativo Windows Movie Maker
Objetivos: Refletir sobre as possibilidades de uma formação continuada virtual e intercultural. Criar atividades de coautoria para a construção de REA.  Discutir a cocriação em rede na mobilização do diálogo intercultural.
Licença Aberta: Creative Commons – CC BY SA.

 

8. DIREÇÕES DE PESQUISA PARA FORMAÇÃO CONTINUAL VIRTUAL EM UM CONTEXTO INTERCULTURAL

mapa_conceitual_rea

REA 5: Mapa das novas direções de pesquisa sobre REA para a Formação continuada virtual em um contexto intercultural.

Autores:Ana Maria Ribas de Jesus/Maria Cristina Lima Paniago Lopes/Rosimeire Martins Régis dos Santos

Fonte:http://www.flickr.com/photos/82367184@N03/7551228806/in/set-72157630529863438

Descrição: A figura acima foi gerada com o aplicativo Cmap Tools.

Objetivos: Discutir as futuras direções da pesquisa de REA para a Formação Continuada Virtual em um contexto intercultural.

Licença Aberta: Creative Commons – CC BY SA.

Para apresentar o mapa de direções de pesquisa, vale ressaltar que o grupo GETED (Grupo de Pesquisa e Estudos em Tecnologia Educacional e Educação a Distância) tem parcerias de colaboração científica com os pesquisadores de algumas Instituições Internacionais: Universidade Aberta de Portugal; Universidade de Manitoba – Winnipeg, Canadá, fato este que possibilita uma socialização das experiências em âmbito micro e macro, promovendo a colaboração científica.

Além disso, o grupo GETED já vem investigando e pesquisando questões relacionadas à inserção das tecnologias no contexto educacional, formação tecnológica do professor e educação a distância. Em 2006, investigamos o uso de ferramentas de comunicação e informação em cursos de graduação a distância (implicações das ferramentas de comunicação e informação e os diferentes níveis de linguagem, nível ortográfico e estruturas frásicas). Em 2007 e 2008, pesquisamos a Educação a Distância e suas Inter-Relações: rompimentos e implementações no ensinar e no aprender com o objetivo de descrever e interpretar o fenômeno da EAD e suas inter-relações em uma Universidade privada no MS – relações entre professores, tutores, alunos e os rompimentos e implementações no processo de ensino-aprendizagem a distância. Em 2009, analisamos a formação continuada em uma comunidade virtual: um espaço de reflexão e colaboração com o objetivo de investigar o processo de colaboração e reflexão dos participantes de um grupo de pesquisa e estudo em formação continuada mediada por um ambiente virtual de aprendizagem. Em 2010, propusemos uma pesquisa sobre as concepções dos professores sobre o ensino e a aprendizagem mediados por laptops em escolas municipais de tempo integral: momentos de reflexões colaborativas. No período de 2011 a 2013 propomos a formação continuada virtual com professores, indígenas e não índigenas, inseridos em contextos educacionais mediados pelas tecnologias de informação e comunicação.

Todas estas pesquisas estão vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica Dom Bosco, da linha Práticas Pedagógicas e suas Relações com a Formação Docente, envolvendo alunos doutorandos, mestrandos, o grupo de estudos e de pesquisa GETED, além dos alunos de graduação em iniciação científica. O Mapa das novas direções de pesquisa sobre REA pretende contribuir e discutir para novas análises das possibilidades de formação continuada virtual em contexto intercultural de professores indígenas e não indígenas com foco na integração das tecnologias da informação e comunicação nas suas práticas pedagógicas

9.   CONSIDERAÇÕES GERAIS

Entendemos que estamos longe de finalizar uma reflexão com uma única resposta aos nossos questionamentos. É evidente a necessidade permanente de indagações relacionadas ao hibridismo cultural, à identidade do sujeito, às múltiplas relações culturais, aos diálogos estabelecidos nas redes sociais concernentes ao contexto de formação continuada de professores indígenas e não indígenas.

Acreditamos na incompletude e inacabamento do conhecimento, o que nos faz prosseguir na imersão da pesquisa com olhares abertos, despojados de pré-conceitos e repletos de ressiginificações. Entendemos que não é uma tarefa simples e fácil, pois exige avançar nos movimentos de hibridização, mesclando objetividades e subjetividades. Neste sentido, este REA evidencia uma produção colaborativa, com múltiplas autorias e diferentes olhares, o que possibilita (re)construções de bens interculturais.

Portanto, a formação continuada virtual de professores indígenas e não indígenas abre espaços para reflexões de possíveis potencialidades de uso de redes sociais e recursos educacionais abertos como local de negociação (inter) cultural ampla e aberta  entre o “eu” e o “outro”.


[1] Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/2010 apresenta que as populações indígenas em contexto urbano no Estado em 1991 estava constituída de 3.832 índios. No ano de 2010 a população indígena passou gradativamente para um total de 14.457.

[2] Citamos o grupo de pesquisa NEPO (Núcleo de Estudos de População) da UNICAMP.

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Leitura adicional

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CITAÇÃO Lopes, M.; Jesus, A.; Lima, E.; Bueno, M.& Santos, R.(2012). Formação continuada virtual de educadores de comunidades indígenas com REA e redes sociais em um contexto intercultural. In: Okada, A. (Ed.) (2012) Open Educational Resources and Social Networks: Co-Learning and Professional Development. London: Scholio Educational Research & Publishing.
LICENÇA Este capítulo tem licença Creative Commons (CC BY-SA 3.0)
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One Comment

  1. Amparo
    Posted April 25, 2013 at 12:28 am | Permalink

    This is my first time go to see at here and i am really
    impressed to read all at one place.

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