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Capítulo 19. REA na Universidade Aberta do Brasil: limites e perspectivas

Colearners21

Universidade do Estado da Bahia

Universidade Estadual do Maranhão

Autores

Antonio Roberto Coelho Serra

Silvar Ferreira Ribeiro

Sônia Maria Pinto

RESUMO

Este capítulo apresenta uma análise da forma atual de produção, de compartilhamento e de distribuição de Materiais Didáticos no Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), a qual está baseada na lei de direitos autorais. Propõe  reflexões sobre a necessidade e a importância da elaboração e do uso de Recursos Educacionais Abertos – REA, como forma de otimizar recursos e democratizar o acesso ao conhecimento produzido nas universidades públicas para todos os cidadãos.

Sugere que os conteúdos produzidos no âmbito do Sistema  UAB sejam registrados sob licença livre (ex: Criative Commons) e disponibilizados em modelos acessíveis, permitindo que os seus destinatários atuantes no sistema, quer estudantes, professores ou tutores, possam, além de reutilizá-los na forma original, remixarem, readaptarem e redistribuírem, preservando os princípios gerais de um licenciamento aberto, citando e atribuindo os créditos aos autores que lhes  antecederem .

OBJETIVOS DE COAPRENDIZAGEM

O objetivo deste trabalho é convidar o leitor a refletir sobre o processo de produção e distribuição de materiais didáticos na UAB, levando-o a discutir este processo nas  universidades, nas redes sociais e nos encontros acadêmicos, com o objetivo de compreender as razões da escolha das licenças proprietárias em vez de adotar a lógica de Recursos Educacionais Abertos.

POSSIBILIDADES DE REUTILIZAÇÃO

Este capítulo, como todo o livro, possui licença aberta e pode ser reutilizado por educadores, estudantes, pesquisadores e demais interessados em disseminar o movimento REA. Este conteúdo pode ser reconstruído principalmente por todos aqueles que desejam iniciar a discussão sobre Recursos Educacionais Abertos – REA em suas Instituições que  ainda não utilizam ainda REA. A investigação sobre limites e perspectivas poderá ser ampliada e recompartilhada, inclusive no site desta Obra.

PALAVRAS-CHAVE

Universidade Aberta do Brasil – Materiais Didáticos – Recursos Educacionais Abertos

1 . ABERTURA:

REA01_cap19

REA 01:  Uso de REA no Sistema UAB – Limites e Possibilidades
Autores: Antonio Serra/Silvar Ribeiro/Sonia Pinto
Descrição: Produção de Material Didático (MD) na UAB: Formato atual x Formato REA
Objetivo:  Estar ciente dos fatores-chave no processo de produção de Materiais Didáticos sem ou com design REA
Descrição: Esta imagem foi feita no CMAP TOOLS – Licença: CC BY SA

 

A imagem acima tem como objetivo provocar o interesse do leitor pelo uso de REA e envolvê-lo na discussão sobre a importância da busca de alternativas livres para a produção e a distribuição de materiais didáticos no Sistema UAB, bem como em todo o sistema educacional brasileiro.

Para iniciar a leitura deste capítulo apresentamos duas questões que estão representadas nesta imagem: Por que os Materiais Didáticos da UAB, produzidos com recursos públicos são protegidos pela lei de direitos autorais e não podem ser modificados pelas próprias universidades que fazem parte do Sistema ou por outros entes públicos? Por que professores, pesquisadores e estudantes do Sistema UAB não podem reutilizar, readaptar, remixar e redistribuir os materiais didáticos produzidos no próprio sistema, enriquecendo-os com as suas próprias reflexões e conhecimentos construídos na sua prática acadêmica?

2. INTRODUÇÃO

A proposta de criação de Recursos Educacionais Abertos (REA) surgiu em 2002 durante um evento realizado pela UNESCO, envolvendo um grupo de pesquisadores de vários lugares do mundo, interessados em debater o movimento OpenCouseWare, criado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) com o objetivo de disponibilizar os materiais dos seus cursos na Internet com livre acesso em todo o mundo (Okada; Bujokas, 2013).

A ideia norteadora dessa iniciativa é a criação e a distribuição de recursos educacionais, a serem disponibilizados para toda a humanidade, sem as restrições impostas pelas leis de mercado e pelos entraves das leis autorais de caráter proprietário. O movimento se destina à promoção da qualidade da educação em todo o mundo e contribui com o combate às desigualdades sociais ainda tão gritantes nos dias de hoje.

Ao contrário disso, os materiais didáticos, dentre eles o livro impresso, ainda muito utilizado no sistema educacional, estão vinculados ao mercado editorial e, para ter acesso, os estudantes precisam comprá-los, sendo que o direito de propriedade deste conteúdo pertence às editoras, que os adquire por valores nem sempre justos para o seu autor.

Outros materiais, além do livro, impressos sob a forma de módulos ou apostilas, são entregues a alunos que estão matriculados nas instituições que os detêm. Existem ainda os conteúdos e mídias em outros formatos, cujo acesso se dá por meio de senhas controladas pelas instituições que ofertam os cursos e dependem de pagamentos de mensalidades. Segundo Rossini e Gonzalez (2012) este modelo se caracteriza como “um típico mercado monopolístico de venda de conteúdo”.

No caso da Educação a Distância no Brasil, a legislação recomenda a entrega de material didático, com formato adequado à modalidade de ensino, para cada disciplina ofertada. Nessa direção, os “Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a Distancia” publicados pelo Ministério da Educação, indicam uma abertura para a diversidade de recursos, que extrapolem o formato de material impresso, conforme citado abaixo:

Em consonância com o projeto pedagógico do curso, o material didático, deve desenvolver habilidades e competências específicas, recorrendo a um conjunto de mídias compatível com a proposta e com o contexto socioeconômico do público-alvo (BRASIL,2007).

O Decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005, no parágrafo único do artigo 7º, estabelece que os Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância pautarão as regras para a regulação, supervisão e avaliação dessa modalidade.

Por força destas regras, as instituições superiores de ensino que ofertam cursos na modalidade a distância, estão condicionadas a produzir material didático para todas as disciplinas que ofertam, atendendo a essa diversidade recomendada, tendo em vista que esses critérios serão considerados no momento da avaliação dos cursos pelas comissões de especialistas, para efeito de reconhecimento dos mesmos e, também para o credenciamento ou recredenciamento da instituição para oferta de educação a distância.

Essas determinações legais, em consequência, deveriam induzir as instituições à produção de uma gama de materiais didáticos, em diversas mídias, especialmente no âmbito da Universidade Aberta do Brasil. Tal fato nos motiva a apresentar as questões propostas na abertura deste capítulo, a fim de que sejam feitas as análises e discussões pertinentes entre os sujeitos integrantes desse grande sistema nacional.

Neste capitulo  apresentaremos em linhas gerais o Sistema UAB e a forma como os materiais didáticos são produzidos e distribuídos atualmente. Abordaremos o significado de REA, discutindo as políticas de produção e distribuição de recursos educacionais abertos ao redor do mundo, sua situação atual e perspectivas de uso no sistema educacional brasileiro. Discutiremos o significado da licença livre e aberta, bem como da licença proprietária, para que possamos estabelecer comparações entre estas alternativas.

No final, propomos um exercício de coparendizagem, através do qual o leitor poderá intervir nesta discussão, acrescentando suas próprias ideias, suprimindo, modificando, adaptando o que julgar inadadequado e republicando a sua autoria sobre este tema.

Apresentamos ainda um vídeo de licença livre, gravado durante o Fórum REA para a America Latina, realizado no Rio de Janeiro em 2012, através do qual os  propomos uma discussão ao leitor sobre Recursos Educacionais Abertos  e a sua utilização para a realização da atividade de coaprendizagem.

3. A UNIVERSIDADE ABERTA BRASILEIRA

Criado em 2005,  o sistema nacional de educação superior,  denominado Universidade Aberta do Brasil – UAB  não se constitui em Instituição de Ensino, mas em um sistema composto por universidades estaduais, federais e institutos de educação, ciência e tecnologia, articulados cooperativamente com prefeituras municipais e governos estaduais para o desenvolvimento de cursos  na modalidade de ensino a distância (PRETI, 2007; BRASIL 2011; MOTA, 2007; MATIAS-PEREIRA, 2008;).

O Decreto nº 5.800, de 08 de junho de 2006, regulamenta o Sistema Universidade Aberta do Brasil, direcionando-o para o desenvolvimento da EAD, na medida em que expande e interioriza seus cursos. O texto dispõe sobre as referências gerais para o funcionamento dos polos de apoio presencial, enquanto unidades descentralizadas para desenvolvimento de atividades pedagógicas e administrativas relativas às ações vinculadas à UAB. O documento ainda prevê que convênios e acordos de cooperação com instituições públicas de ensino superior e outros entes federativos sejam firmados pelo MEC, que também tem responsabilidade sobre o acompanhamento, a supervisão e a avaliação dos cursos.

Assumidamente, a UAB é uma política pública, desde 2007 vinculada à Diretoria de Educação a Distância – DED, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes/MEC, com o vislumbre da expansão da educação superior, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. Nessa perspectiva, considerando os processos de democratização e acesso, as propostas educacionais dos estados e municípios, assim como tendo por base as regulações do MEC, são fundamentos de sustentação da UAB: a expansão pública da educação superior, o aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino superior, a avaliação da educação superior a distância, o estímulo à investigação em educação superior a distância e o financiamento dos processos de implantação, execução e formação de recursos humanos em educação superior a distância (BRASIL, 2011).

Em razão da sua vinculação com a Capes e do próprio PDE, atualmente a Universidade Aberta do Brasil está focada na oferta de cursos para formação de professores e, excepcionalmente, por causa das possibilidades de repercussão em favor da educação,  através do Programa Nacional de Formação  de Professores para a Educação Basica (PARFOR). Sobre essa empreitada do MEC, Freitas (2007) avalia que a inserção da UAB nesse campo descoberto, significa uma tentativa de profissionalização do magistério e elevação dos indicadores de qualidade do ensino, o que para Dourado (2008) representa o caminho inverso daquele escolhido em 1995, no Governo Fernando Henrique Cardoso, quando se iniciou um grande processo de privatização do ensino superior, cuja expansão só foi experimentada entre as instituições privadas.

O primeiro e o segundo edital da UAB, lançados respectivamente em dezembro de 2005 e outubro de 2006, asseveram a crescente adesão das instituições, assim também como as atuais articulações e chamadas para oferta e reoferta de cursos (BRASIL, 2011). O Quadro 1 sintetiza sua evolução até o presente momento.

DADOS UAB 1(2005) UAB 2(2006) UAB ATUAL(2013)
Instituições Públicas 49 75 103
Cursos 151 342 968
Polos 291 562 650
Vagas 40.000 100.000 248.560

Quadro 1:  Evolução da UAB em números
Fonte: adaptado de COSTA (2008); BRASIL (2012); TEATINI (2013)

Os dados indicam que em cerca de oito anos de existência da Universidade Aberta do Brasil, houve uma expansão superior a 100% no número de instituições públicas participantes e de polos e superior a 500% no número de cursos e de vagas, considerando desde o primeiro edital até o ano de 2013. O Quadro 1 também revela um dos principais traços do sistema UAB, a saber, sua evidente opção pelo modelo de EAD distribuído em polos, embora traga em seu próprio nome a conotação de uma “Universidade Aberta”. A esse respeito, Zuin (2006) explica que nessa concepção de educação a distância, os polos de apoio servem de referência para encontros presenciais visando à identificação e à aproximação entre alunos e curso.

4. POLÍTICAS PÚBLICAS E RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS

Recursos Educacionais Abertos – REA ou Open Educational Resourses  – OER  se constituem como uma estratégia de criação, recriação e difusão de conteúdos intencionalmente educativos, que ampliam as possibilidades de realização da educação em todos os níveis e modalidades, inclusive a não formal. Os REA se concretizam no desenvolvimento, uso, publicação e reutilização de cursos completos ou em partes, módulos, livros didáticos, artigos, vídeos, softwares, textos, imagens, ferramentas, materiais ou técnicas que possam contribuir para o acesso e a produção do conhecimento e que estejam disponíveis numa licença flexível ou em domínio público para que outras pessoas possam fazer uso ou modificações sem problema com direitos autorais (Okada 2013, Rossini & Gonzales 2012, Santos 2012, Pretto 2012, Santana 2012).

Já o direito autoral trata do direito moral do autor ter a  autoria reconhecida sob a sua obra. Este pode ceder alguns direitos da sua obra, mas o direito de ser reconhecido como autor nunca é cedido, pois de acordo com a lei brasileira isso não é permitido. Em ampliação à essa noção de preservação autoral, despontam registros sob a perspectiva Creative Commons, que possibilita vários tipos de licenciamento e permite que o autor escolha a forma como as pessoas podem reutilizar a sua obra.

No caso da licenca proprietaria estas permissoes de usos sao feitas sob remuneracao ou royalties. A obra portegida por este tipo de licenca nao pode ser modificada, nem reproduzida e o usuario fica obrigado a pagar para utlizar cada unidade que tenha interesse em consumir.

Segundo Okada (2011), geralmente as práticas de REA no ensino superior estão mais relacionadas ao primeiro uso, do que em processos de reutilização. Neste sentido, a autora apresenta vários níveis de reutilização e formas de reutilizar  REA, conforme figura 01 abaixo. Para a autora ainda “Quando os usuários compreendem este significado, eles podem projetar REA com intenção de reutilização explícita”.

FIG01 Cap19

Figura 1 – Níveis de Reutilização e formas de reutilizar OER por Okada (2011)

Este quadro esclarece as diversas alternativas possíveis de reutilização de REA e, principalmente, indica que os materiais didáticos já podem ser concebidos com este formato para possibilitar a sua reutilização.

O movimento REA defende, fortemente, que os materiais educacionais, conteúdos em qualquer formato, desde que produzidos com recursos públicos devem ser caracterizados como bens comuns, destinados a toda sociedade. Rossini e Gonzalez (2012) afirmam que “esta forma de lidar com o conhecimento resgata sua essência, ou seja, reabilita seu caráter social e coletivo, um bem que deve ser acessível a todos”.

Neste sentido, imprescindível é o papel dos gestores e entes públicos na definição de políticas editoriais que garantam essa natureza social do conhecimento. Cuidar para que os conteúdos educacionais não se tornem monopólio de entidades privadas, que manipulam a sua veiculação pelo interesse nos seus lucros, nesta ótica, passa a ser ação estratégica de Estado, para garantir que possam ser amplamente distribuídos, compartilhados, traduzidos, adaptados e remixados, sempre para finalidades educativas, em benefício da população.

Outra preocupação importante desse movimento, que os REA disponibilizados, possam beneficiar também as pessoas em situação de desvantagem, como adultos com defasagem de escolaridade, desempregados, deficientes físicos ou mentais e toda sorte de pessoas potencialmente ou efetivamente submetidas a alguma forma de exclusão da sociedade.

A adoção formal de Recursos Educacionais Abertos pelos governos, constitui-se numa política de gestão do conhecimento como bem público, e já se estende assim por vários lugares do mundo. Muitos são os exemplos que já apresentam resultados positivos para a população. Vale ressaltar que a oferta de conteúdos em forma de livros abertos e digitais (REA) não é pratica exclusiva de governos e de instituições públicas.

As autoras Rossini e Gonzalez (2012) afirmam que o primeiro exemplo (mas não o único) de uma grande editora privada com um modelo de negócios abertos é o da Flat World Knowledge  que produz e disponibiliza livros que já são adotados oficialmente em vários estados americanos e em universidades de renome nos Estados Unidos.

As autoras afirmam ainda que, além dos livros didáticos, os tablets, os repositórios de objetos educacionais, os módulos abertos e outros modelos de distribuição de conteúdos, potencializados pela “emergência de tecnologias de ponta” e com as suas funções de interatividade e redes sociais, multiplicam-se pelo mundo.

Uma experiência mundial bem sucedida é a da Open University (OU), no Reino Unido (UK) que desde 2006, iniciou o Projeto Open Learn, através do qual disponibilizou na Internet parte dos conteúdos dos seus cursos para acesso público. Essa iniciativa, classificada como Recursos Educacionais Abertos (REA),  inicialmente disponibilizou materiais educacionais criados pela OU e por seus usuários com licença aberta em uma plataforma multidirecional. Segundo Inamorato (2012) “o projeto foi concebido para ser uma ação experimental, um laboratório de aprendizagem sobre práticas de provisão, uso e reuso de REA”. Hoje em dia, o projeto faz parte do plano de ação institucional da universidade.

No Brasil, as discussões e ações no âmbito do chamado “movimento REA”, ainda que em pequena escala, já acontecem e existem algumas iniciativas setoriais, inclusive do governo nas esferas legislativa e executiva.

Em março 2012,  o Brasil abrigou o Fórum Regional REA América Latina, organizado pela UNESCO, Commonwealth of Learning e a Prefeitura do Rio de Janeiro com apoio de parceiros como o Projeto REA Brasil e do Nied Unicamp. O evento visou incentivar os governos a adotarem politicas públicas de desenvolvimento e adoção de Recursos Educacionais Abertos e contou com a participação de representantes de diversos países da America Latina, Creative Commons, do Scielo, das universidades e outras organizações civis.

Segundo o site do evento <http://rea.net.br/site/forum-regional-rea-america-latina/>, os fóruns regionais da UNESCO buscam  identificar os tipos de atividades REA desenvolvidas nas diversas regiões, saber mais informações sobre as politicas governamentais na área, como também buscam apoio dos governos e sociedade civil, através da Declaração construída em cada encontro.

Para elaborar a Declaração sobre REA da América Latina foram organizados grupos de discussões com representantes de governos e da sociedade civil, que ao final do evento apresentaram suas conclusões que convergiram em vários pontos, conforme  Quadro 02.

Conclusões do Grupos de Discussões – Fórum América Latina

1 Os grupos chamam a atenção para uma diferenciação clara entre licenças abertas, domínio público e standards abertos;
2 Ao final dos fóruns regionais contratar um tradutor juramentado para não haver problemas de tradução e entendimento para os diferentes idiomas;
3 Promover o fortalecimento de REA estimulando a criação de materiais educativos em outros idiomas que não sejam o inglês;
4 Promover um marco legal para falar de licenças abertas;
5 Promover conscientização sobre standards e repositórios que sejam válidos para todos (interoperabilidade);
6 Formação de alianças estratégicas;
7 Sustentabilidade (motivar e promover participação do setor privado para desenvolvimento de REA e criação que permita troca e uso de materiais entre diferentes países);
8 Promoção de políticas de fomento para ampliação do investimento privado em REA;
9 Fomentar avaliação, uso e impacto que os REA produzem na aprendizagem.

Quadro 02 – Forum REA America Latina  (adaptado pelos autores). Fonte: http://rea.net.br/site/forum-regional-rea-america-latina/ acessado em 24/6/2013

Neste Fórum realizado no Rio de Janeiro, foi debatido, dentre vários outros documentos, o Projeto de Lei Federal n. 1513/2011, de autoria do  Deputado Paulo Teixeira que “Dispõe sobre a política de contratação e licenciamento de obras intelectuais subvencionadas pelos entes do Poder Público e pelos entes de Direito Privado sob controle acionário de entes da administração pública”  e se encontra em tramitação na Câmara do Deputados.

Mesmo antes desse evento, as  bases dessas discussões sobre REA no Brasil, já tomavam como referência,  a Declaração sobre Educação Aberta da Cidade do Cabo (2007), também organizado pela UNESCO, e além deste projeto acima citado, existem outras iniciativas em debate no poder legislativo e no executivo que se fundamentam em diretrizes internacionais sobre REA, tais como “politicas de educação aberta nas escolas e universidades, licenças de conteúdo aberto (REA livremente compartilhados) e produção colaborativa com participação de educadores e estudantes” Rossini e Gonzalez (2012).

Dados publicados na obra Recursos Educacionais Abertos – práticas colaborativas e políticas públicas (Santana, Rossine e Pretto, 2012) demonstram que o governo brasileiro é o principal financiador e comprador de recursos educacionais, entretanto a forma como é conduzida uma das principais politicas publicas do pais, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), e a maneira com está organizado o mercado editorial, juntamente com as barreiras ao acesso imposta pela lei dos direitos autorais, alimenta um monopólio dos conteúdos pelas editoras, produzindo uma série de efeitos negativos sobre o programa, com consequências para o mercado e para o acesso ao material didático.

Segundo Rossini e Gonzalez (2012), estes efeitos negativos se refletem na gestão do PNDL, pois “provoca o aumento dos custos de distribuição, a redução do poder de negociação do governo e o aumento do preço dos livros”. Observa-se aí uma grande distorção, comentada também pelas autoras, pois é de conhecimento público, que as compras em grande escala, são determinantes na redução dos preços unitários e, neste caso, o efeito contrário, já revela uma distorção das  próprias leis de mercado.

Outros problemas relacionados a esta política brasileira de aplicação dos recursos públicos na compra de livros didáticos, que afetam o mercado, é que da forma como é conduzida, incentiva concentração empresarial, beneficiando as grandes empresas e excluindo os empreendedores de pequeno porte, além da baixa remuneração dos autores, que ainda ficam dependentes das exigências das editoras que fixam preços e são o único meio de acesso ao seu mercado de trabalho.

Segundo Inamorato (2011), a iniciativa pioneira que antedece e por ser relacionada com a cultura de REA no Brasil, teve inicio em 1994 na Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) através da BibVirt – A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro com acesso livre pela Internet. Outra experiência brasileira destacada  é o Projeto Rived – Rede Interativa Virtual de Informação, mantida pelo Ministério da Educação que tem por objetivo a produção de conteúdos pedagógicos digitais, na forma de objetos de aprendizagem.

O Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE), (MEC_Brasil), o  Portal do Professor (MEC_Brasil),  o Projeto Folhas, (Governo do Paraná), o Portal Open Courseware da UNICAMP, o Projeto Condigital da UNESP, com participação dos Ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia, as iniciativas do SENAI, do SEBRAE, da  Fundação Getulio Vargas, do Colégio Dante Alighieri, da  Prefeitura Municipal de São Paulo, através da sua Secretaria de Educação, da Universidade Federal do Riogrande do Sul – Repositorio LUME, o Portal Ciância à Mão Feusp e o Scielo – Scientific Eletronic Library Online são experiências brasileiras que se identificam em muitas características com o movimento REA.

Acrescente-se a todos estes o Portal de Periódicos Capes que apesar de nao ser um repositório de Recursos Educacionais Abertos, permite a estudantes  e professores universitários de instiuições públicas de todo o pais o acesso gratuito a uma vasta base de dados nacional e internacional para dar suporte as suas pesquisas e estudos acadêmicos.

Apesar de todas estas iniciativas listadas e referidas acima serem importantes para o cenário educacional brasileiro e demonstrarem que existem experiências práticas que se aproximam do uso de Recursos Educacionais Abertos no país, a análise final feita por Inamorato (2011) sobre o estado da arte de REA no Brasil, revela que a nossa situação ainda esta muito longe do ideal. Na prática poucas instituições produzem ou utilizam os recursos educacionais abertos e muitas das iniciativas estão vinculadas a interesses individuais de professores e pesquisados que fazem parte de comunidades internacionais e tem produzido algumas ações nesta área.

Fica evidente ainda que as iniciativas governamentais são importantes e podem representar um bom suporte para dar inicio a ações mais estruturantes do movimento REA no sistema educacional brasileiro. Inamorato destaca nas suas conclusões que, apesar deste quadro desfavorável, são importantes,

“as iniciativas construídas em torno dos conceitos de objetos de aprendizagem, conteúdo digital e objetos educacionais, com o objetivo adicional de tornar os recursos educacionais disponíveis, gratuitamente, para uso público para melhorar o ensino e a aprendizagem” (Inamorato, 2011, p. 71).

Essas iniciativas representam experiências já consolidadas, muitas iniciadas antes do movimento REA na sua configuração atual, e podem se tornar uma base para dar início ao uso de Recursos Educacionais Abertos no Brasil.

No campo desta ações político-governamentais, destacam-se, segundo (Rossini e Gonzalez, 2012), além do Projeto de Lei Federal n.1513, já citado neste capitulo, outros três espaços de debates. O Projeto de Lei Estadual n. 989 de 2011 do Estado de São Paulo, o Decreto Municipal n.52.681/2011 da Cidade de São Paulo e, talvez o mais importante, o Projeto de Lei Federal n. 8.035/2010, o Plano Nacional de Educação – PNE. Este último, estabelece diretrizes e metas para a educação pelo período de dez anos, nesta versão atual está em debate o período de 2011-2020.

Através de consulta ao Portal da Câmara dos Deputados e do Senado Federal antes do fechamento deste texto em junho de 2013, constatou-se que as últimas ações legislativas são respectivamente a aprovação da redação final pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) no dia 16/10/2012 e a tramitação do referido projeto no dia 25/10/2012, pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, com remessa ao Senado Federal através do Oficio n. 1.928/12/SGM-P.

No Senado Federal a ultima tramitação está registrada no dia 29/05/2013 “avocada à relatoria pela presidência da Câmara de Constituição e Justiça (CCJC), com parecer aprovado na referida comissão. No texto aprovado pela CCJC do Senado e disponibilizado na mesma data, consta que na metas 05 (diretriz 5.3), e 07, (diretriz 7.12), ainda estão preservadas as  propostas que indicam a adoção de Recursos Educacionais Abertos (REA) no Sistema de Educação Básica, desde alfabetização até o ensino médio, conforme trechos do Plano Nacional de Educação apresentados no Quadro 03 .

Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental.
Diretriz – 5.3) selecionar, certificar e divulgar tecnologias educacionais para alfabetização de crianças, assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas, devendo ser disponibilizadas, preferencialmente, como recursos educacionais abertos;
Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as médias nacionais para o IDEB.
Diretriz – 7.2: incentivar o desenvolvimento, selecionar, certificar e divulgar tecnologias educacionais para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio e incentivar práticas pedagógicas inovadoras que assegurem a melhoria do fluxo escolar e a aprendizagem, assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas, com preferência para softwares livres e recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas;

Quadro 03 – REA no PNE 2011-2020 – (adaptado pelos autores). Disponivel em (http://legis.senado.gov.br/mateweb/arquivos/mate-pdf/128820.pdf). Acesso:24/6/2013.

A tramitação deste Projeto de Lei 8.035/2010, que recebeu  aproximadamente, três mil emendas, e, até o momento, preserva estas diretrizes, representam uma boa perspectiva para a mudança deste cenário que analisamos acima e um bom indicativo para o aprofundamento das discussões que propomos, ao trazer para o debate através desta obra, a história recente, o estado da arte e o futuro do movimento REA no Brasil.

5. BASES PARA CONCEPÇÃO DOS MATERIAIS DIDÁTICOS NA UAB

Recorre-se ao curso a distância de Administração, piloto da Universidade Aberta do Brasil, como ponto de partida para compreensão do contexto gerador da lógica para produção dos materiais didáticos até hoje influentes no sistema UAB.

Nesse sentido, a concepção e elaboração dos materiais didáticos do curso a distância de Administração (piloto da UAB)sta em seu conselho superior de representantes, essas competências passaram a ficaram a cargo  da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Essas universidades, conjuntamente com as outras instituições aderentes à proposta do piloto, reeditaram o projeto pedagógico original, buscando-se um desenho coeso que contemplasse todas as universidades articuladas, e decidiram que os primeiros materiais didáticos impressos a serem utilizados no curso seriam elaborados pela UFSC e colocados à disposição das demais universidades (SOARES, 2009).

Devido à eficácia dessas articulações coletivas e das interações iniciais entre MEC, Banco do Brasil e instituições de ensino, fora criado um Fórum Nacional do curso a distância de Administração com representações desses três segmentos, para compartilhamento de informações, experiências, acompanhamento e avaliação do desse projeto piloto. Tal iniciativa deu sinais de um processo democrático em torno da construção da proposta de uma Universidade Aberta para o Brasil, mais tarde regulamentada sob forte influência desse espaço de debates em favor de um curso piloto uniforme em 22 (Ver quadro 4) universidades, cujas particularidades ocasionalmente geravam pequenas diferenciações entre uma e outra forma de desenvolver o projeto (SOARES, 2009).

IES Sigla IES Sigla
Universidade de Brasília UnB Universidade Federal de Lavras UFLA
Universidade Estadual do Ceará UECE Universidade Federal de Mato Grosso UFMT
Universidade Estadual do Maranhão UEMA Universidade Federal de Mato Grosso do Sul UFMS
Universidade Estadual de Maringá UEM Universidade Federal do Pará UFPA
Universidade Estadual da Bahia UNEB Universidade Federal do Paraná UFPR
Universidade Estadual da Paraíba UEPB Universidade Federal do Piauí UFPI
Universidade Federal de Alagoas UFAL Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN
Universidade Federal do Ceará UFC Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS
Universidade Federal do Espírito Santo UFES Universidade Federal de Santa Catarina UFSC
Universidade Federal de Goiás UFG Universidade Federal de Uberlândia UFU
Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF Universidade Federal de Viçosa UFV

Quadro 4: Universidades Integrantes do Projeto Piloto UAB. Fonte: Brasil (2010).

Andrade (2010) destaca que em uma das primeiras reuniões do referido Fórum, ocorrida na cidade de Florianópolis, foram apresentadas as diretrizes gerais para composição dos projetos pedagógicos. Na ocasião, considerou-se a educação a distância e o próprio curso piloto dentro de uma perspectiva sistêmica, cujos componentes englobariam a orientação acadêmica (tutoria), materiais didáticos, formas de comunicação, mecanismos de gestão e avaliação. Nesse olhar, os princípios do curso estariam concentrados na dialogicidade, na relação entre a teoria e a prática, na autonomia do estudante, nas interações entre os diferentes atores e sujeitos, na investigação e na inter e transdiciplinaridade, especialmente explorada em seminários temáticos ao final de cada semestre (NEDER, 2006).

Ressalta-se que, respeitadas as especificidades regionais, culturais e administrativas, todas as universidades integrantes do curso piloto adotaram e submeteram ao MEC, essencialmente o mesmo projeto pedagógico, conforme as diretrizes gerais do curso de graduação em Administração descritas na Resolução nº 4/2005 do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2005). Nesse projeto, conforme o próprio Ministério da Educação, o bacharelado a distância em Administração tem duração de quatro anos e meio, dos quais os três primeiros compõem uma base única para todas as instituições e o último ano, autonomamente definido em cada contexto universitário com as ênfases que lhe forem apropriadas (BRASIL, 2011). Nele também estão contidos os principais recursos de mediação da aprendizagem contemplados pelo financiamento do curso, entre eles, o material didático impresso, o ambiente virtual e colaborativo de aprendizagem baseado na internet e determinadas mídias síncronas e assíncronas, como CDs, DVDs (vídeo aula) e sistemas de tele ou videoconferência (UEMA, 2007).

6. COMPARTILHAMENTO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NA UAB

De modo específico, a presente seção apresenta, em paralelo, os resultados dos diferentes modos de coleta de dados utilizados (entrevistas, grupos focais, questionários e documentos) e suas respectivas análises, elencadas caso a caso, tendo a categoria material didático como foco das considerações. De um lado, o estudo multicaso, por critério de acessibilidade, realizado junto à Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade Federal do Ceará (UFC), integrantes do curso piloto e do outro, um levantamento aplicado a todas as instituições de ensino integrantes hoje do sistema UAB.

As discussões em torno da concepção do componente sistêmico material didático abrangeram pontualmente três vertentes observadas, a partir dos referenciais de qualidade do MEC, em universidades integrantes do curso piloto da UAB. Assim também, em adição, buscou-se por iniciativas de REA através de levantamento junto às instituições de ensino participantes do sistema.

Em detalhe, a primeira vertente buscava saber o quanto os materiais instrucionais utilizados correspondiam ao contexto socioeconômico dos alunos e atendiam às suas necessidades no curso. A segunda, se esses recursos didáticos eram complementares entre si e estavam devidamente integrados e a terceira, se eles contribuíram para a aquisição de novas competências do estudante. Por fim, diante dos resultados desse recorte no curso piloto da UAB, em que foram conhecidas a lógica da produção e a diversidade de materiais didáticos empregados, identificou-se de maneira ampliada os indícios do desenvolvimento de Recursos Educacionais Abertos, no âmbito do sistema, junto aos seus atuiais gestores.

No que se refere  às primeiras abordagens, os materiais didáticos nas universidades investigadas apresentaram-se com poucas variações. De forma específica, trata-se de uma conjugação de recursos disponíveis em ambiente colaborativo e virtual de aprendizagem, especialmente com a exploração de fóruns e chats, integrados satisfatoriamente com o uso de um livro-texto, no caso da Uema e UEPB, impressos. Os participantes da pesquisa, em todas as unidades de análise, reconheceram, em sua maioria, o potencial dos materiais didáticos em contribuir para a aquisição de novos conhecimentos, habilidades e atitudes nos estudantes diante do exercício profissional.

Em distinção, o fato de a Uema ter utilizado adicionalmente aos materiais das demais instituições, o recurso da videoaula e da videoconferência. No caso da UEPB, destaca-se o forte indício apontado nas entrevistas e grupo focal,  da preferência dos estudantes pelos encontros presenciais (compreendido como material didático) em detrimento de outros recursos, mesmo o livro impresso. Por sua vez, na UFC vieram à tona alguns sinais de moderada insatisfação com os recursos utilizados.

A Tabela 1 sintetiza os resultados dessas três vertentes relacionadas à concepção dos materiais didáticos no âmbito do curso piloto da UAB nas universidades investigadas. Demonstra por instituição, os percentuais dos participantes da pesquisa correspondentes aos níveis da escala para cada uma das abordagens.

  MD

 

                 Sujeitos de                Pesquisa Escala

UEMA

UEPB

UFC

Est.

Prof.

Tut.

Est.

Prof.

Tut.

Est.

%

%

%

%

%

%

%

%

%

Aprova

ção

Nunca

0

0

0

0

0

0

2

2

4

Algumas vezes

8

5

5

0

0

0

16

2

14

Cerca de metade das vezes

17

32

30

0

29

8

16

26

28

Muitas vezes

50

42

44

62

42

33

33

45

42

Sempre

25

21

21

38

29

59

33

25

12

Integra

ção

Nunca

0

0

0

0

0

0

0

2

2

Algumas vezes

8

0

11

0

0

4

17

5

21

Cerca de metade das vezes

42

21

17

25

29

12

16

20

9

Muitas vezes

33

47

37

50

57

42

50

53

59

Sempre

17

32

35

25

14

42

17

20

9

Aquisi

ção

Nunca

0

0

0

0

0

0

0

2

0

Algumas vezes

8

0

5

0

0

0

6

2

0

Cerca de metade das vezes

8

16

9

13

29

0

17

5

5

Muitas vezes

67

47

30

38

42

29

50

51

42

Sempre

17

37

56

49

29

71

27

40

53

ateriais didáticos nas universidades pesquisadas (Prof.=Professor, Tut=Tutor, Est.=Estudante)

Correspondendo às vertentes delineadas na coleta dos dados, a Tabela 1 discrimina os resultados do questionário on-line em três níveis de tratamento (aprovação, integração e aquisição). Na primeira abordagem verifica-se que a maioria dos professores, tutores e alunos sondados consideraram que, em pelo menos cerca de metade das vezes, os materiais didáticos foram aprovados por estarem compatíveis ao contexto socioeconômico dos estudantes e atenderam às suas necessidades. Em geral, apesar de os professores demonstrarem maior aprovação dos recursos didáticos, ficou destacado negativamente o fato de 18% dos professores e dos alunos da UFC apontarem acentuada inconformidade dos materiais didáticos em relação à questão levantada.

Quando das análises da segunda vertente, os dados indicam que a maioria dos participantes da pesquisa considerou os materiais didáticos disponibilizados para os estudantes devidamente integrados. Nesse caso, ao contrário da abordagem da anterior, os professores da Uema e UFC assumiram posição mais crítica em relação ao assunto, seguidos dos tutores da UEPB. Por fim, quanto ao tratamento relativo à aquisição de novas competências, fica evidente a uniformidade dos resultados entre todos os sujeitos de pesquisa, em todas as universidades investigadas. Eles confirmam que os materiais utilizados no curso permitiram a acumulação de conhecimentos, habilidades e atitudes antes desconhecidas.

De acordo com as evidências levantadas, considerou-se que a Uema tenha dimensionado adequadamente seus materiais didáticos e que a UEPB e a UFC o tenham feito de forma suficientemente compatíveis com as necessidades de formação dos estudantes. Acredita-se que não seria a diversidade de alternativas instrucionais, traduzidas em diferentes recursos de mediação da aprendizagem, que isoladamente se tornariam suficientes para promover melhores ou piores resultados no desempenho dos estudantes. Contudo, não se pode dizer o mesmo quando se tem mídias correspondendo adequadamente ao contexto socioeconômico e expectativas dos tipos de públicos estudantis, uma vez que é conhecida a importância de tal componente (MOORE; KEARSLEY, 2007).

As análises relativas aos três casos apresentados, embora não se pretenda fazer generalizações, indicam com propriedade um recorte representativo das práticas norteadoras de toda a rede de instituições participantes da Universidade Aberta do Brasil, quando do desenvolvimento e produção de materiais didáticos. Em termos, foram experiências como essas do curso piloto que desencadearam a criação de um referencial para todos os demais cursos realizados no âmbito do Sistema UAB.

Com outra perspectiva e em dimensão ampliada, esse trabalho também pretendeu identificar práticas de utilização ou produção de Recursos Educacionais Abertos entre as 96 (noventa e seis) instituições integrantes do Sistema UAB. A partir do questionário eletrônico aplicado, constatou-se em linhas gerais que:

  • 23% das instituições utilizam ou produzem REA nos cursos do Sistema UAB;
  • 70% das instituições não utilizam e nem produzem REA em atividades acadêmicas fora do Sistema UAB; e
  • 100% das instituições pretendem continuar ou passar a utilizar e produzir REA para os cursos do Sistema UAB.

Diante de um corte seccional, os resultados expressos desse levantamento refletem diretamente o ponto de vista dos gestores do Sistema UAB de cada instituição. Para a primeira e segunda constatações, apontam de maneira geral entre as causas para o baixo índice de utilização ou produção de REA, o próprio desconhecimento acerca desse movimento,  a sua logística, o dominio das tecnologias, bem como  as questões relacionadas aos direitos autorais. Alguns respondentes indicaram tomar conhecimento do tema por meio do instrumento de coleta de dados e outros demonstraram todo interesse em participar de pesquisas com essa abordagem para que se familiarizassem com essa nova lógica. Diante dessa impressão, depreende-se que os coordenadores UAB consideram complexa e não sabem como proceder para realizar qualquer implementação de política voltada para a abertura dos seus materiais didático de acordo com as concepções do movento REA. Sugerem que esse descompasso seja passível de correção quando a Capes assumir integralmente o fomento dessas práticas.

Por outro lado, em que pese ainda prevaleça o despreparo e desconhecimento dos gestores sobre o tema em tela, o levantamento realizado indica haver fortes evidências de que a totalidade das instituições integrantes do Sistema UAB desejam e sobretudo, não pretendem fazer qualquer resistência à utilização e produção de REA em seus cursos. Com essa perspectiva, apontam para a necessidade de investimentos na qualificação de profissionais, para a realização e amadurecimento de pesquisas focadas nessa abordagem, assim também para a construção e integração de repositórios institucionais públicos e abertos para compartilhamento de conteúdos.

Possivelmente a trajetória de determinadas instituições nesse campo, caso da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), haverá de repercutir em curto e médio prazo sobre as demais. As referidas universidades são pioneiras no Sistema UAB na adoção de práticas educacionais abertas e já inspiram novas iniciativas nessa direção, a exemplo do que fez a UFF com a promoção em maio de 2013, do Seminário “Recursos e Práticas Educacionais Abertas no Ensino Superior: Desafios e Oportunidades”. O evento decorreu do projeto OportUnidad, financiado pela Comunidade Europeia e culminou com o lançamento de um Compêndio contendo casos de REA na Educação Superior na América Latina e Europa.

7. ATIVIDADE DE COAPRENDIZAGEM

 Vivenciando uma experiência com uso de REA

 Assista ao vídeo abaixo, com comentários de representantes do Brasil e da Guatemala no Fórum Regional REA América Latina com o objetivo de apoiar as nossas reflexões sobre o tema e reflita como você poderia iniciar algumas experiências com REA no Sistema UAB.

REA02 Cap19

REA 02 – Fórum Regional REA América Latina

Descricao:Pequeno vídeo produzido durante o Fórum Regional REA América Latina no Rio de Janeiro em 28 e 29/03 de 2012, com comentários de:
1. Cynthia Del Aguila – Ministra da Educação da Guatemala;
2. Mayara Leal – Brasil
3. Deputado Paulo Teixeira – Brasil
Filmagem: Abel Caine e Carolina Rossini

Edicao:  Jonathas Mello.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=wVAfaIiTpRc

Licença Creative Commons CC-BY.

Objetivo: Introduzir REA para iniciar uma atividade de coaprendizagem.[A5]

 

Imagine que ao assumir uma disciplina como professor(a) e/ou tutor(a) em um determinado curso de uma das universidades que fazem parte do Sistema UAB, você já encontre o material didático desenvolvido e tenha que utilizá-lo. No entanto, ao analisar o material você perceba que algumas discussões mais atuais sobre o tema, poderiam enriquecer bastante o documento e você como professor(a) da disciplina gostaria de ampliar o referido material didático com exemplos práticos, com uma imagem, com outras indicações de leitura ou até mesmo reescrever um dos textos. Contudo, diante dessa impossibilidade, decidiu pesquisar um recurso educacional aberto sobre o tema e claro fazer algumas modificações

Para realizar esta atividade siga os passos abaixo:

  1. Inicie assistindo o videoclip acima para refletir sobre os pontos-chave relacionados aos REA
  2. Faça pesquisa avançada no google (permite direcionar para obras com licença aberta) ou portal do professor (http://portaldoprofessor.mec.gov.br/index.html), ou no RIVED (http://rived.mec.gov.br/), ou em qualquer outro site sobre o tema do seu interesse. Consulte ainda o caderno para professores com dicas de vários sites, nos quais podemos encontrar REA (http://educacaoaberta.org/wiki/index.php/Lista);
  3. Pode ser, imagem, ou  vídeo, ou texto ou curso ou outro recurso qualquer;
  4. Observe se a licença permite uso e modificacoes;
  5. Pesquise softwares livres de fácil utilização por qualquer usuário (que nao seja para uso profissional) e traga a sua reflexão, ou então, reconstextualização para alterar o conteudo original conforme seu interesse.[A6]
  6. Registre sua obra (http://creativecommons.org/choose/), com a mesma licença e não esqueça de citar o autor, conforme obra original.
  7. Publique sua produção na internet.

Observação: Faça isso com a colaboração de alguém, podem ser seu aluno ou um colega de trabalho, professor ou técnico da sua instituição. No final escreva sobre as suas impressões e achados  e compartilhe ideias com outras pessoas visando avaliar a importância desta experiência e entender como ela contribuiu para o seu coaprendizado.

8. CONCLUSÃO

O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), desde a sua origem no Projeto Piloto, que foi concretizada com a oferta de um curso de Bacharelado em Administração, numa parceria ampla que envolveu o Ministério da Educação (MEC), vinte e cinco universidades públicas e o Banco do Brasil, integrante do Fórum da Estatais Pela Educação, desenvolveu a ideia de construção colaborativa e de compartilhamento de recursos entre os seus diversos partícipes, criando o Fórum Nacional de Coordenadores do Projeto Piloto, cujo principal objetivo foi o de compartilhar as boas práticas e otimizar os recursos aplicados nestes programas através da cooperação entre todos os seus integrantes.

Esta proposta inicial ganhou força com o passar dos anos e se fortaleceu no sistema UAB, difundindo-se com criação do atual Fórum Nacional de Coordenadores UAB e dos Fóruns de Áreas do Conhecimento que envolvem os Coordenadores de Cursos de todas as universidades participantes.

Embora os materiais didáticos disponíveis, tanto no curso piloto, como em todos os outros cursos da UAB, sejam financiados com recursos públicos e sua própria denominação traga consigo o termo “universidade aberta”,  e também, a experiência do curso piloto tenha sido influente para a incorporação de uma lógica de compartilhamento em rede entre as instituições dele participantes, não se verificou de forma expressiva no Sistema UAB, tantas práticas abertas no sentido estrito dos termos que definem a educação orientada por estes principios, tampouco, os recursos educacionais produzidos no âmbito do sistema forma concebidos ou distribuídos sob a concepção de recursos educacionais abertos.

Os resultados encontrados nessa pesquisa indicam que a própria incipiência do debate sobre REA, tanto no Brasil,  quanto no Sistema UAB, quando da concepção e início do curso piloto em 2005, assim como o desconhecimento acerca das possibilidades e modos de desenvolvimento de práticas educacionais abertas, nos dias de hoje, também podem figurar entre os principais limites para incorporação de uma lógica de abertura até então no sistema.

9. FUTURAS PESQUISAS

Esta discussao inicial carece de maior aprofundamento ampliando os dados e as infornacoes para a analise de casos especificos que permita um diagnostico mais concreto do estagio de evolucao de cada universidade em termos de conhecimento, uso e aplicacao de REA no Sistema UAB. Estas informacoes apresentam o potencial de se tornarem estrategicas para os gestores e decisores, tanto no ambito da UAB, enquanto sistema, quanto nas proprias universidades. Com base num diagnótico mais detalhado, investigações sobre elaboração e implementação de estratégias para adoção de REA de modo contextualizado tornam-se extremamente relevantes também. Consideramos que diagnóstico e estratégias baseadas na integração teórica-prática são dois desafios essenciais para boa implementação de REA em Instituições que pretendem ampliar o movimento de Educação Aberta.[A7]

10. REFERENCIAS

ANDRADE, Amanda Ferreira Aboud de. Análise da evasão no curso de Administração a distancia – Projeto-piloto UAB: um olhar sobre a gestão. 2010.132f. Dissertação (Mestrado em Administração). Universidade de Brasília, Brasília, 2010.

BRASIL. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2005. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em dministração, bacharelado, e dá outras providências. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces004_05.pdf> Acesso em: 18 mai 2012.

BRASIL. Decreto nº 5800, de 8 de junho de 2006. Dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5800.htm> Acesso em:15 abr. 2009.

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______. ______. Histórico. 2011. Disponível em: <http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9&Itemid=21>. Acesso em: 28 set. 2011.

____. ______. Instituições de Educação Superior e Cursos Cadastrados. 2012. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em: 13 jan 2012

______. ______. Referenciais de qualidade para a educacao superior a distancia. 2007. Disponivel em < http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/

legislacao/refead1.pdf > Acesso em: 24 jun 2013.

COSTA, Celso. Panorama da Universidade Aberta do Brasil. In: Fórum de coordenadores do curso piloto de administração. Maceió, 18 a 20 de mar. 2009. Palestra… Maceió: UAB, 2009. Disponível em: < http://uab.capes.gov.br/atuab> Acesso em:  15 abr. 2009.

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CITAÇÃO Pinto,S.; Ribeiro,S. & Serra, A.(2013).REA na Universidade Aberta do Brasil: limites e perspectivas. In: Okada, A. (Ed.) (2012) Open Educational Resources and Social Networks: Co-Learning and Professional Development. London: Scholio Educational Research & Publishing.

 

LICENÇA: Este capítulo tem licença Creative Commons (CC BY-SA 3.0)


 [A1]Esta imagem precisa ser refeita para que as letras fiquem mais visiveis

 [A2]Seria interessante mostrar o nro de pessoas que responderam a pesquisa Prof Tut e Estudante… e explicar que trata-se de um nro representativo.

Se foi um nro baixo, por questoes de tempo entao deixe pois futuramente esat pesquisa pode ser ampliada com o capitulo publicado. Podemos deixar o questionario como atividade online

 [A3]Isso pode ajudar na leitura.

 [Roberto S4]Enviar essa imagem em alta resolução e em separado para Amanda.

 [A5]Aqui falta ligar o video com a atividade

 [A6]Aqui acho que a aletração deve ser tambem proposta para que não fique algo solto

 [A7]Uma sugestao caso vcs gostem,

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