OER | Logo
 

capitulo 18. Abertura, mobilidade e cognição expandida: Possibilidades de novos territórios de aprendizagem

 Download PDF Download ODF Download Word Document

Grupo SENAC – SP
Centro Universitário Senac
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
(São Paulo, Brasil)

Autores
Cláudia Coelho Hardagh
Anderson Luis Silva
Simone A. Freitas

 RESUMO

Este capítulo aborda questões voltadas para a aprendizagem mediada por recursos computacionais em rede, REA,  e comunidades em redes sociais digitais. Para isso, foi realizado um estudo  com docentes e estudantes do Centro Universitário Senac-SP que utilizam a web 2.0 como um espaço de “expansão da escola” para aprendizagem e pesquisa acadêmica.

OBJETIVOS DE COAPRENDIZAGEM

Os objetivos para o leitores são: refletir sobre as redes sociais como espaço de pesquisa e aprendizagem colaborativa, discutir sobre ensino tradicional e novas possibilidades com redes sociais e REA. A análise tem como objetivo entender as redes sociais e recursos educacionais abertos (REA) como oportunidades para aprendizagem colaborativa e de pesquisa, entender como a Cibercultura pode possibilitar a discussão sobre modelo de ensino tradicional e novas metodologias e modalidades de aprendizagem que são analisadas tendo como referência as características cognitivas da geração “Y” e “Z”, cognição expandida.

POSSIBILIDADES DE REUTILIZAÇÃO

As possibilidades de reutilização deste texto são introduzir o assunto em cursos de Ensino Superior, discutir o tema com interessados em aplicar redes sociais para pesquisa e espaço de aprendizagem digital aberto, aqui intitulado e analisado como “Escola Expandida”.

PALAVRAS-CHAVE

 coaprendizagem, redes sociais, mobilidade,  escola expandida

 

  1. ABERTURA E NOMADISMO

 

 

 

 

 

REA 01: Escola expandida espaço para a  aprendizagem aberta.

 

Autor: Péricles Eugenio M. Ramos.

Fonte: WIKIMEDIA (http://commons.wikimedia.org/wiki/Fractal)

Descrição: imagem feita no CorelDraw

Objetivos: Refletir sobre Escola Expandida

 

A figura REA 01 apresenta um fractal. Como base nesta imagem geométrica procurou-se representar os REA como um processo aberto recursivo de reuso – revisão – remixagem  – redistribuição (Wiley, 2009ç Hilton et al, 2010). O fractal tem como característica a complexidade infinita, conceito que contribui para a ideia de  aprendizagem  aberta em rede colaborativa que tem como princípio um processo gerador recursivo e que gera um número infinito de interações.

Esta representação tem como objetivo entender e avaliar as redes sociais como território de aprendizagem cooperativa, seja como espaço aberto ou como ambiente mediado, no qual a participação é circunscrita aos convidados. Entender como a Cibercultura, as tecnologias nômades e a ubiquidade da comunicação podem possibilitar a ressignificação do modelo de ensino tradicional, emissor – mensagem – receptor, que passa a ser redesenhado através da interação entre os participantes da comunidade digital, por meio do compartilhamento e da transformação de conteúdos informacionais que se adequem às diferentes formas de cognição e consonância ao potencial da Inteligência Coletiva.

Pretendemos trazer elementos para as novas possibilidades para uma educação não linear, em oposição e/ou complementação as ações pré-concebidas decorrentes de currículos fechados e da disponibilidade de tempo e de espaços determinado ao estudo.

 

Com base nesta imagem, propomos as seguintes perguntas para os leitores iniciarem reflexão e leitura deste capítulo:

  1. Como transformar o espaço tradicional da aprendizagem para espaços expandidos  em rede e transformação?
  2. Qual o potencial da inteligência coletiva dentro da cibercultura das redes  sociais?
  3. O que significa a “escola expandida”?

 

 

2 – INTRODUÇÃO

 

Este capítulo descreve o estudo realizado pelo grupo de pesquisa SENAC cujo objetivo foca a reflexão sobre os Recursos Abertos de Aprendizagem (REA), a partir de nossa experiência como professores e pesquisadores que utilizam as redes sociais como espaço de interação e expansão para a aprendizagem e pesquisa. Para analisar as redes sociais, fundamenta-se na teoria sócio histórica (Vygotsky, 1991), Escola e cognição expandida (Hardagh, 2009) e as teorias de conectividade (Santaella, 2004).

A pesquisa do grupo de professores e alunos de iniciação científica tem como Título “Moda, Design e Redes Sociais: Uma nova proposta de construção do conhecimento”, está dividida em duas linhas de investigação e tem como objetivo a construção de produto educacional multimidiático com conteúdo sobre História da Moda do Oriente Médio. Para coletar conteúdo usou-se o Facebook para a troca de informações entre os componentes do grupo de pesquisa e professores, alunos e outros convidados dos países em foco: Arábia Saudita, Turquia e Líbano.

Os alunos pesquisadores são estudantes de graduação com bolsa para Iniciação Científica que são provenientes de cursos da área de Design como Moda e Áudio Visual.

O grupo de pesquisa da linha Tecnologia Aplicada à educação e aprendizagem do Centro Universitário Senac – São Paulo é composto por seis docentes com formação diversificada que atuam nos cursos da área de Design. Esta composição heterogênea é um facilitador para a pesquisa interdisciplinar em que cada pesquisador dentro de sua formação abre links conceituais que se conectam ao longo da pesquisa.

A universidade contemporânea passa por um processo de metamorfose com o advento das novas tecnologias da comunicação e informação. As formas oferecidas de aprendizagem precisam se renovar por pressão da geração “Y” e “Z” que utilizam novas formas de comunicação, compartilhamento de informações com o conceito de Web 2.0 e das redes sociais abertas.

A tecnologia nômade e a convergência das mídias reconfiguram o espaço educacional para aprendizagem, temos uma geografia baseada na desterritorialização (HAESBAERT, 1994), e a escola se reorganiza para um tempo e espaço aberto e flexível (Flusser, 2007), denominado por alguns autores  como Escola Expandida (Hardagh, 2009). O celular, iPads, iPhones estão sendo cada vez mais usados principalmente com redes sociais.

O Facebook rede social (Social Network Sites – SNS), foi escolhido como suporte para a interação dos seguintes grupos: 1. Professores e alunos pesquisadores ; 2. Professores e alunos pesquisadores e mulheres mulçumanas, 3. Alunos das Escolas de Moda dos países citados acima com a equipe Senac. Para organizar as conversas e sistematizar as informações foram criadas duas comunidades no facebook, uma fechada para o grupo de pesquisa Senac – grupo 1 e outra para os colaboradores.

As duas comunidades no Facebook, uma para comunicação e memória do processo de pesquisa, com a participação de professores, alunos de Iniciação Científica e colaboradores externos convidados pelo grupo sobre o  tema da pesquisa, Moda e/ou Educação. A segunda comunidade aberta focou  a comunicação entre o grupo de pesquisadores brasileiros e as escolas de Moda, estudiosos do tema, estilistas e jovens árabes, turcos e libaneses.

Para investigar o uso do Facebook, nas duas comunidades como um espaço de expansão da aprendizagem, analisamos o processo de investigação, comunicação e partilha de informações e conhecimentos do grupo de pesquisadores, alunos professores e interessados no tema.

A teoria sócio-histórica (Vygotsky), os conceitos de Cognição Expandida e Escola Expandida (Hardagh) e as teorias de leitor imersivo e conectividade (Santaella),  foram selecionados para  discutir aprendizagem e cognição como cognição expandida. Cognição Expandida refere-se ao  processo de construção de conhecimento que ocorre na rede social, ou seja, ocorre no espaço expandido da escola, além da sala de aula, além da instituição de ensino, é o espaço aberto de aprendizagem.

A investigação sobre Moda do Oriente Médio realizada pelas redes que se expande por vários territórios, múltiplas culturas e agrega indivíduos com o mesmo interesse é o motivador para o grupo analisar como este processo de pesquisa, troca de informação, análise das postagens, das imagens e  reflete a teoria e a prática de novas formas de aprendizagem com o suporte de comunicação aberto nas redes sociais. Sabe-se que isso exige mudança de paradigma educacional e com uma experiência prática podemos sensibilizar nossos pares do Ensino Superior quanto às novas práticas educacionais e de pesquisa.

Os objetivos da interação em cada um dos grupos converge para o foco Moda- Permanências e mudanças e Redes Sociais como espaço para pesquisa e aprendizagem. Entender como as redes sociais disseminam a produção de Moda do Oriente Médio para o Ocidente e como esta produção é influenciada pelo Ocidente.  É fato que a cultura mulçumana resguarda as mulheres da exposição pública, sendo assim analisamos as imagens, fotos e links postados de produção de Moda para entender a influencia da tradição na roupa contemporânea ou se a Moda rompeu com esta tradição. As imagens de mulheres, mesmo com véu, no Facebook mostra que a necessidade de expor sua imagem se sobrepõe à tradição. As produções de estilistas e alunos apresentam caracterísiticas ocidentais muito fortes e mesmo àqueles que conservam traços orientais como tecido, estampa, brilho e preocupação com o corpo coberto apresentam sinais de influência européia.

Segundo Rogério Costa, “As redes sociais virtuais, estão relacionadas às comunidades virtuais, que compõem uma nova forma de fazer sociedade, de se comunicar e que nos leva a pensar em novas formas de associação humana que regulam a atividade humana em nossa época” (COSTA, 2005 :235). As redes sociais, como blogs e facebook, foram as ferramentas documentais usadas pela sua democratização, mesmo nos países de religião predominantemente mulçumana. Isso foi constado em visita aos países pesquisados e o contato com estudantes universitários, beduínos e estilistas. O contato com estes grupos femininos mostrou as variações de indumentária em cada país e grupo – urbano, rural, nômades, com nível de escolaridade mais elevado – que mostram como a tradição é mantida ou foi quebrada pela forma como se vestem.

A proposta de elaborar um projeto de pesquisa para investigar a história da Moda do Oriente Médio (foco nos países indicados), focando nas mudanças e permanências culturais, o uso das redes sociais para comunicação da produção de Moda e das imagens das mulheres mulçumanas começou após o contato in locu e pela carência de pesquisas sobre Moda nesta região. A referência histórica que temos é Ocidental e para a Moda européia, o que faz com que os programas dos cursos de Design de Moda tenham uma característica europocêntrica.

Depois da pesquisa nos sites das escolas de Moda e viagem realizada por um dos pesquisadores ao Oriente Médio,  foi constatado que o Facebook é  a rede social mais usada por jovens e  sem restrição política e religiosa na comunicação, somente com restrições e cuidados na exposição de fotografias.

Conforme  Hardagh,

“A rede social virtual criada em processos educativos passa a ter outros significados que devem estar atrelados a aprendizagem, ou seja, se a proposta de usar este espaço expandido traz consigo as ideias de inovação para a prática educacional então devemos explorar a rede em seu sentido social na comunicação múltipla, que agrega indivíduos com os mesmos interesses e proporciona um grau de interatividade amplo, ou seja o leitor também é autor, a co-laboração e a co-criação do conhecimento é a base da relação interativa estabelecida” (2006, p.51).

 

3. Procedimentos metodológicos

O estudo sobre História da Moda do Oriente Médio teve como objetivo de gerar material e conhecimentos  para o desenvolvimento de produtos abertos multimidiáticos, linha de tempo e um documentário. O produto desenvolvido pelo grupo de pesquisadores visou o uso didático para os cursos de Design de Moda, a ser usado por professores da educação básica também.

A Justificativa do estudo passa pela compreensão de um estudo antropológico, histórico e da Moda como linguagem tem como referência a produção européia e, mesmo o Brasil sendo um país multicultural não há quase, dentro dos cursos de Design de moda, informações sobre a cultura oriental e sua influencia na arte e Moda do Brasil. Desenvolver pesquisa tendo como problemática a Moda do Oriente Médio e comunicação em rede contribui para a ampliação do repertório dos alunos e também para a valorização da transversalidade teórica e espistemólogica.

O objeto de investigação são as redes sociais levantadas que tenham aderência à pesquisa, Moda no Oriente Média para entender as permanências e mudanças na indumentária feminina.

O problema central da pesquisa é: quais as mudanças e permanências da indumentária das mulheres mulçumanas do século XXI expostas nas redes sociais e até que ponto a disseminação das redes sociais influenciam na indumentária da mulher mulçumana?

Durante o primeiro ano avançamos na parte teórica e na orientação dos  projetos dos alunos de Iniciação científica. A bibliografia e discussão inicial foram iguais para todos os alunos e professores voltada para cibercultura como Lévy (1999), Tapscott (1999), Santaella (2004)  Essas leituras foram necessárias para que todos os participantes da comunidade ficassem atentos ao processo de compartilhamento e aprendizagem.

A metodologia de investigação deste estudo focou o estudo qualitativo  participativo focado nas ações integradas com reflexões implementadas durante os projetos de pesquisa dos alunos:

Para pequisa foram realizadas:

Pesquisa de revistas e  comunidades relacionadas ao Oriente Médio

Discussão sobre as mulheres do Oriente Médio relacionadas à moda.

Investigação sobre questões históricas, culturais, sociais e religiosas que influenciam a moda.

Criação de vídeo e objeto de aprendizagem aberto.

Construção de produções coletivas e individuais com parcerias e coautorias entre estudantes e docentes.

O processo de desenvolvimento da pesquisa teve alguns entraves institucionais com relação ao uso de Facebook. Não fomos autorizados a usar a rede social institucionalmente por questões jurídicas como horário de trabalho e uso da comunicação final de semana e período de férias, isso poderia trazer problemas processuais. O impedimento mostra como há, de fato, o descompasso entre a tecnologia desenvolvida, ou seja, a produção cultural é submetida aos anseios da  superestrutura[1]. Desta forma ficamos alguns meses focados em leituras e postergamos a comunicação com as escolas de Moda.

O desfecho desta questão não foi positivo e não fomos autorizados a usar institucionalmente a comunidade do Facebook, com isso, optamos por não colocar o nome, logo ou citar a Instituição de fomento nas comunidades.

Os alunos de Iniciação científica estavam dividios entre alunos de Desgin de Moda e de Design e Design Digital. As alunas de Moda tinham em seu projeto o foco na História da Moda do Oriente Médio e de Design digital pesquisaram os blogs e comunidades que tratavam de Moda ou que eram de mulheres mulçumanas com fotos postadas.

A maior parte dos alunos eram trabalhadores e o tempo escasso nos fez usar o Fecbook como local para interação, postagem de links para pesquisa, esclarencimento de dúvidas.

A experiência na utilização de rede social como espaço voltado para compartilhamento de informação, interação entre os grupos foi positiva em alguns aspectos:

  1. Rapidez e facilidade em postar informações;
  2. A disseminação do Facebook otimiza a pesquisa por nomes de mulheres do Oriente Médio e das escolas de Moda;
  3. O uso de tecnologia nômade conectada à internet nos trouxe o conceito de ubiquidade,mobilidade, “Escola Expandida” e “leitor imersivo” para o grupo analisar.

Por outro lado, a ferramenta Fecbook no aspecto didático apresenta características que podem ser melhoradas:

Os posts ficam desordenados, as informações se perdem e não há como categorizar para acha-las de forma rápida.  Esta característica ratifica a essência das redes sociais, como efemeridade das informações, dispersão e a valorização dos elos sociais em forma de rede e não da informação para ser depurada e refletida.

O grupo se constituiu a partir e no Facebook com encontros presenciais esporádicos. As informações foram reorganizadas pela aluna de Design Gráfico e colocadas em planilha de acordo com o tema e com os objetivos  fazendo assim a gestão das informações.

A pesquisa foi desenvolvida individualmente por cada aluno e professor, mas foi alimentada com a partilha das informações postadas e com a base teórica dos livros indicados pelos professores orientadores.

 

  1. 4.     Redes sociais e aprendizagem expandida

 

As leituras sobre Geração “Y” e “Z”, leitor imersivo e Inteligência coletiva trouxe o perfil social e psicológico das gerações “Y” e “Z”, as mudanças cognitivas e a necessidade da educação se adequar a este aluno do século XXI.

Com esses dados podemos entender que há um paradoxo entre a escola fisicamente estática, com currículo pré-determinado, horário fixo, organização baseada na hierarquia e normas concebidas de cima para baixo com a realidade da sociedade do conhecimento. Temos hoje um contexto histórico e cultural que é atribuído pelos sociólogos Castells,  Lipovetsky, Bauman e Morin como uma sociedade em rede, sociedade do efêmero, sociedade líquida, sociedade complexa ou crise da modernidade.

Tratamos das redes sociais na internet (RSI) como espaço coletivo e colaborativo para a comunicação, troca de informação, aprofundamento de um determinado tema, pesquisa, ou seja, a aprendizagem. O potencial colaborativo e democrático das redes sociais vão ao encontro da ideia de ética, estética e cognição expandida, pois os links, a troca de informação com uma rede de pessoas com os mesmos interesses exige uma nova forma de cognição e um entendimento sobre produção de conhecimento que não tem paralelo ao paradigma tradicional, o conhecimento é propriedade de todos, as ideias estão publicadas e abertas à intervenção da comunidade.

A ideia de leitor imersivo definido por Santaella (2004) como “um leitor em estado de prontidão, conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multilinear, multissequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre palavras, imagens, documentação, músicas, vídeo etc (…). Leitor imersivo é o leitor implodido cuja subjetividade se mescla na hipersubjetividade de infinitos textos num grande caleidoscópio tridimensional onde cada novo nó e nexo pode conter uma outra grande rede numa outra dimensão (Santaella, 2004:33), ratifica a proposta defendida de ter a Wiki e as redes sociais

Segundo F. Terra, aluna de iniciação científica:

Temos vivido, nos últimos tempos, uma nova forma de comunicação em função do ciberespaço. Os computadores se tornaram mecanismos importantes para tal advento e através dele um ciberespaço tem sido construído pelas pessoas. A partir destas mudanças, surgiu o fenômeno das redes sociais virtuais. O fenômeno tem sido estudado por uma série de teóricos, entretanto o conceito de redes é pesquisado a muito mais tempo do que possa parecer. Além do âmbito virtual, todos nós vivemos em redes ou comunidades, como nosso vínculo familiar, trabalho, escola, igreja e qualquer outro grupo que nos relacionemos. Pelas redes virtuais, nos deparamos com uma nova realidade de manifestação de opinião e rapidez na divulgação das informações.

O que define uma rede social é a união de dois elementos: os atores e suas conexões. Os atores são as próprias pessoas, assim como Instituições, grupos, chamados, nós da rede. As conexões são os laços sociais e as interações. (Warsseman e Faust 1994; Degene e Force, 1999). Analisando a estrutura social das redes, notamos que não há um isolamento dos atores, no entanto, eles se relacionam através de seus laços sociais e conexões. (Terra, 2011).[2]

 

Percebemos que o Facebook favorece o fluxo comunicacional por meio do compartilhamento das mídias sociais, ou seja, o que está em jogo é mesmo fluxo de signos, a interação e a conectividade entre pessoas e conteúdos, dessa forma, em consonância com o socioconstrutivismo de Vygotsky e com as teorias de Lévy e Santaella.

O contato com a bibliografia sobre tecnologia móvel passamos a estudar às teorias e propostas, sobre tecnologia móvel e ubíqua que tem reconfigurado as novas formas de relação do homem com o mundo do trabalho, as relações dos agentes da educação e, consequentemente do aluno e professor. O Ensino Superior atinge jovens, futuros profissionais que devem atuar em novas bases de sociabilidade, de comunicação e produção intelectual e prática. Ficou claro neste percurso que há um paradoxo entre o desenvolvimento das tecnologias e as mudanças que precisam urgente ocorrer nas instituições.

Para Santaella, “a mobilidade, tanto no sentido de portabilidade, quanto de acesso à informação e principalmente a mobilidade de pessoas mudam a relação entre a informação e o mundo. (…) Agora a informação pode estar nos lugares e nosso corpo agir como browser.” (Santaella, 2010).

A informação e conhecimento onipresentes, com a tecnologia móvel e a convergência das mídias, Web semântica temos uma geografia baseada na desterritorialização, ou seja, o espaço da escola de expande (Hardagh, 2009), atores com papéis marcados, tempo do relógio e espaço único terá que ser revisto e redesenhado, pois o celular, iPads, iPhones estão sendo cada vez mais usados e com um aproveitamento limitado pela educação formal. Muitas comunidades de aprendizagem inclusive Universidades estão alocadas no Second Life. Os cursos de inglês, ou cursos livres oferecem aplicativos para conexão e com design próprio para os mobiles.

No tocante a Recursos Educacionais Abertos (REA), várias instituições conceituadas como MIT USA, Open University UK e muitas outras em diversos países abriram seus conteúdos de seus cursos para todos na web.

Confome OKADA (2011 : 3) ressalta, a  rápida expansão REA e Redes Sociais na web 2.0   “têm favorecido o uso freqüente de recursos colaborativos, o grande compartilhamento em larga escala de informações, e maior participação e autonomia na construção de conteúdos, pesquisas e práticas educacionais online.  Principalmente devido à abertura de tecnologias, informações e de processos, docentes e usuários da web podem utilizar aplicativos gratuitos para criar, “remixar” e socializar materiais pedagógicos sejam individuais ou coletivos. Além disso, podem também ampliar suas redes de colaboração através de trocas e feedback sobre práticas educacionais, pesquisa e eventos de interesse.”

A filosofia de Abertura como explica Hadargh (2006);

A Web 2.0 aproveita ao máximo a inteligência coletiva, transforma todas as postagens em uma espécie de cérebro coletivo, isto ficou mais ativo com o recurso RSS (Rich Site Summary) que pode ser baixado em sites gratuitos que fornecem os “feeds”(fontes) de RSS. Este recurso atualiza o site regularmente sem perder tempo, pois o usuário fica informado a todo momento sem precisar acessar os sites um a um. Essa forma de conexão inteligente abre novas janelas a todo momento para atualização de notícias por exemplo, esta característica também nos faz repensar o conceito de cognição centrada e analisar a cognição tendo como contexto a cibercultura. Este novo panorama cultural faz com que a cibergeração passe por um processo de aprendizagem diferente do ocorrido nas gerações do livro e da TV.

Podemos entender portanto   a escola expandida como tempo e espaço aberto e flexível no qual as ações educacionais visam  inteligência coletiva para  a construção de conhecimento de forma expandida via Web2.0,  rede sociais e diversas outras interfaces da Cibercultura..

No entanto, observa-se que para muitas Instituições as possibilidades para ocupar o ciberespaço para aprendizagem expandida com REA e Redes Sociais ainda são tímidas e estão fixadas em modelos tradicionais, com material em PDF, acesso restrito e pouca interatividade.

As experiências do grupo de pesquisa com uso da Web 2.0 nos instigam a pensar além das ações pontuais e limitadas pela legislação e até mesmo pelas instituições, em geral, que ainda não conseguiram entender o potencial para a aprendizagem das redes abertas sociais na Internet. O paradigma moderno de mercado precisa ser revisto, pois há um equívoco em pesnar que deter as informações e o conhecimento desenvolvido representa assegurar demanda de alunos, cursos e pesquisa.

 

  1. 5.     Discussões e Reflexões:  A MODA NA REDE – REDES SOCIAIS E CIBERCULTURA

 

A análise realizada foi direcionada para entender as redes sociais e recursos educacionais abertos (REA) como oportunidades para aprendizagem colaborativa e pesquisa, entender como a Cibercultura pode possibilitar a discussão sobre modelo de ensino tradicional e novas metodologias e modalidades de aprendizagem que são analisadas tendo como referência as características cognitivas da geração “Y” e “Z”, cognição expandida.

As pesquisas realizadas sobre site, Facebooks e outras redes sociais estão na comunidade Pesquisa de Tecnologia Aplicada à Educação que pode ser acessada mediante convite aceito. http://www.facebook.com/groups/pesquisa.acjp/

 

Os alunos coletaram desde filmes no Youtube a sites de revistas e  comunidades, relacionados à moda principalmente das mulheres do Oriente Médio. Inclusive eles  compartilharam as referências e também as discussões online.

Como exemplo do desenvolvimento da rede podemos observar que a aluna Isadora está em contato com a comunidade mulçumana em Santos e está coletando dados para sua pesquisa.

 

Outra pesquisa realizada, pela aluna Brenda, está sendo fundamentada no Alcorão, em especial – da Sunnah para entender historicamente a relação das leis religiosas que são, no Oriente Médio, leis que regem os costumes e cotidiano de seu povo.

A aluna Ana Clara estuda as mudanças na Moda feminina das mulheres do Oriente Médio após o contato com o Ocidente via redes sociais e também analisa os filmes, propagandas e outras formas de comunicação audiovisual para colaborar diretamente com o vídeo e objeto de aprendizagem aberto que será desenvolvido. Segundo a aluna pesquisadora:

 

“A intenção é demonstrar de qual forma as culturas tradicionais orientais se adéquam a essa nova liberdade, que expõe as tentações ocidentais principalmente por meio do vestuário, estilistas, grifes, e certas peças (como por exemplo, a calça jeans), que se tornam objetos de desejo pra essas mulheres que pertencem a culturas tão rígidas que na maioria dos casos só permitem que apareçam em público cobertas, seja pela burca, pelo Sári, ou pelo Véu”.[3] (Bezzutti, 2011)

 

O produto sobre a criação de vídeo e objeto de aprendizagem aberto, terá a colaboração direta da aluna Samara que está criando  um banco dados de sites voltados para a história da Moda Oriente e analisando a identidade visual que o Facebook gera no ocidente e no oriente em relação direta com a moda.

O levantamento sobre Moda contemporânea será realizado, também, pela aluna Jéssica que a analisa como o tradicional pode interferir no contemporâneo e em uma sociedade que tem a base na tradição religiosa pode ser trabalhada dentro do conceito de moda, já que há as escolas de Moda produzem coleções com base no contemporâneo e tradicional.

As produções foram sendo construídas coletivamente e individualmente, procuramos trabalhar com a construção em rede como espaço para estudo e aprendizagem, pois, segundo Santaella, as redes nos livram das escalas micro e macro – família, grupo, instituições, nação – substituindo por conectividade. A hierarquia e o poder dão lugar a associações e conexões em que  professor pesquisador, aluno pesquisador e colaboradores externos formam os nós da rede a partir de seus interesses comuns do tema de pesquisa e pela colaboração. Esta afirmação tem sintonia com o nosso grupo, os alunos que mais usaram a comunidade de pesquisa foram os que tiveram os relatórios e desenvolvimento de pesquisa mais consistentes e com orientações constantes que resultou em uma maior maturidade para desenvolver seus projetos.

Observa-se que Redes Sociais e os REAs propiciam a  coaprendizagem na qual docentes e discentes são coaprendizes, colaboradores, coautores do conhecimento coletivo. Conforme Okada (2012) explica o conceito de co-aprender “colearn” tem como foco a educação aberta colaborativa online com Recursos Educacionais Abertos na web 2.0. “A co-aprendizagem 2.0 visa o enriquecimento da educação formal e também da educação informal via o uso de inúmeros recursos, tecnologias e metodologias  para ampliar a inter-autonomia e participação ativa e colaborativa do aprendiz”.

 

6. ATIVIDADE DE COAPRENDIZAGEM


Alguns videoclips na web discutem a expansão da aprendizagem com redes e mídias sociais para ir além dos espaços formais da educação

Alguns exemplos

Combining Facebook and enquiry-based blended learning to teach social Skills

 

 

Videoclipe1: Combining Facebook and enquiry-based blended learning to teach social Skills

 

Autor: Tarsem Singh Cooner

Fonte: YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=ioqBHnmC-44

Descrição:  Este filme descreve como Facebook e uma abordagem de aprendizagem baseada em investigação mista com formação presencial e online foram combinados para ensinar os alunos de serviço social sobre habilidades de mídia social. Uma breve introdução ao projeto de aprendizagem é fornecido seguido de feedback dos estudantes de suas experiências de engajamento com esta abordagem.

Objetivos: Refletir sobre Escola Expandida

 

Com base no estudo apresentado, propomos aprofundar a discussão das seguintes perguntas apresentadas no início do capítulo:

ð  Como transformar o espaço tradicional da aprendizagem para espaços expandidos  em rede e transformação?

ð  Qual o potencial da inteligência coletiva dentro da cibercultura das redes  sociais?

ð  O que significa a “escola expandida”?

 

Convidamos os leitores interessados para criarem um vídeo sobre “redes sociais para coaprendizagem aberta expandida” e também participarem da Rede no Facebook sobre Pesquisa de Tecnologia Aplicada à Educação

 

7.CONSIDERAÇÕES FINAIS

A investigação sobre aprendizagem mediada por recursos computacionais em rede, REA,  e comunidades em redes sociais digitais permitiu identificar algumas ações, reflexões e interações para usufruir a web 2.0 como um espaço de expansão da Educação Superior:

ð  refletir sobre as redes sociais como espaço de pesquisa e aprendizagem colaborativa,

ð  discutir sobre novas possibilidades das redes sociais com REA.

ð  entender as redes sociais e REA como oportunidades para aprendizagem colaborativa e pesquisa,

ð  entender como a Cibercultura pode possibilitar a discussão sobre modelo de ensino tradicional e novas metodologias e modalidades de aprendizagem que são analisadas tendo como referência as características cognitivas da geração “Y” e “Z”, cognição expandida.

ð  compreender escola expandida como  tempo e espaço aberto e flexível no qual as ações educacionais visam  inteligência coletiva para  a construção de conhecimento de forma expandida via Web2.0,  rede sociais e diversas outras interfaces da Cibercultura.

 

Este estudo possibilitou  entrarmos em uma nova etapa de pesquisa sobre escola expandida e inteligência coletiva. Pretendemos  utilizar o Facebook com o logo Senac e elaborar uma apresentação oficial do espaço. Pretendemos  legitimar o grupo virtual de pesquisa e otimizar a comunicação para levantar mais de dados sobre Moda e inteligência coletiva.

A fase de produção multimidiática aberta que iniciou neste estudo será ampliada, com mais dados coletados da pesquisa sobre Moda do Médio Oriente que serão classificados e analisados.

Percebemos ao longo deste período de pesquisa a dificuldade em trazer o conceito de ambiente aberto expandido para o Ensino Superior tanto por parte da comunidade acadêmica como por questões administrativas e legais. A cultura educacional presencial e territorializada é predominante e a coaprendizagem somente é legitimizada quando acompanhada de espaço, tempo e grupo definido e limitado.

Pretendemos  através  das parcerias estabelecidas com grupos de pesquisa externos e estudos  trazer mais subsídios para ratificar a tendência à desterritorialização, nomadismo e abertura dos espaços. Com isso,  visamos mudar o paradigma atual predominante dos espaços de aprendizagem fechados, passivos e instrucionais para paradigmas emergentes nos quais a coaprendizagem ocorre de forma expandida através das redes, REA e inteligência coletiva.

 

 

 

 

Referências

Costa, R.(2005). On a new community concept: social networks, personal communities, collective intelligence. Interface -Comunic., Saúde, Educ., v.9, n.17.

Flusser, V. (2007). O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicaçao. São Paulo: Ed. Cosac Naify.

 

Haesbaert, R. (2004) O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multi- territorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Hardagh, C. (2009). Redes sociais virtuais:Uma proposta de Escola Expandida, Tese de doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil.

 

Hilton, J., Wiley, D., Stein, J., & Johnson, A. (2010). The Four R’s of Openness and ALMS Analysis: Frameworks for Open Educational Resources  Open Learning: The Journal of Open and Distance Learning, 25(1), 37-44.

Lévy, P. (1993) Tecnologias da Inteligência. O Futuro do Pensamento na Era da Informática. São Paulo: Editora 34.

Lévy, P. (1999) Cibercultura . São Paulo: Editora 34.

Okada, A. (2012). COLEARN 2.0 – coaprendizagem via comunidades abertas de pesquisa, práticas e recursos educacionais Revista e-curriculum, São Paulo, v.7 n.1 Abril/2011 http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/article/viewFile/5813/4128

Santaella, L.(2004). Navegar no Ciberespaço. O Perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus.

________________.(2010) A ecologia pluralista da comunicação. Conectividade, mobilidade ubiquidade, São Paulo: Paulus.

Tapscott, Don. Bahr, R. G. (1999) Geração digital: a crescente e irreversivel ascencao da geração Net – São Paulo: Makron Books.

Vygotski, L.S. (1991) A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes

Wiley, D. (2009) The Open High School of Utah: Openness, Disaggregation, and the Future of Schools. Tech Trends. 53(4).

 

Glossário

Tecnologias nômades : Celulares e tablets

Ubiquidade da comunicação: está em todos os lugares em todo o tempo

Aprendizagem Mediada: aprendizagem realizada por meio de tecnologia  e tecnologia, homem e tecnologia.

Inteligencia Coletiva: a inteligência e produção de conhecimento realizado no compartilhamento de informações e interação de um para muitos ou de muitos para muitos.

Educacao Não linear: que ocorre em apenas uma via. Professor-aluno. Conhecimento específico (currículo) o mesmo conhecimento. Não cria links entre sabares.

Cognicão Expandida: o potencial de saber usar várias mídias ao mesmo tempo e buscar informação em espaços não escolares.

Escola Expandida:  tempo e espaço aberto e flexível no qual as ações educacionais visam  inteligência coletiva para  a construção de conhecimento de forma expandida via Web2.0,  rede sociais e diversas outras interfaces da Cibercultura.

CITAÇÃO 
Hardagh, C.; Silva, A. & Freitas, S. (2012). Redes sociais para aprendizagem aberta expandida. In: Okada, A. (Ed.) (2012) Open Educational Resources and Social Networks: Co-Learning and Professional Development. London: Scholio Educational Research & Publishing.

 

LICENÇA 
Este capítulo tem licença Creative Commons (CC BY-SA 3.0)

 


[1] Superestrura no conceito marxista é a estrutura jurídico-política representada pelo Estado e pelo direito.

[2] Relatório apresentado pela aluna F. Terra ao info pesquisa em dezembro de 2011.

[3] Apresentado no relatório parcial apresentado em dezembro de 2012.

 

  • Facebook

Post a Comment

Your email is kept private. Required fields are marked *

*
*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>